Considerações finais: sobre o que resiste
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Rauschenberg, Robert (s/d) Robert Rauschenberg discusses Erased de Kooning Drawing. [Consult. 2010-01-18] Vídeo. Disponível em http://artforum.com/video/ id=19778&mode=large Rauschenberg, Robert (1953) Erased de Kooning drawing. Reprodução. Fonte: Wood, 2002, p. 20. Twombly, Cy (1962) Achilles Mourning the Death of Patroclus. [Consult. 2011-01-28] Reprodução. Disponível em http://www. centrepompidou.fr Wood, Paul (2002) Arte conceitual. São Paulo: Cosac Naify. ISBN: 85-7503-110-4
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Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 142-147.
Referências
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É essa a ineficiência que se aponta no apagamento, como um procedimento que, supostamente, se propõe a esvaziar um suporte: o artista esforça-se para retirar o conteúdo que ali estava inscrito, colocado e construído por ações anteriormente realizadas, por si mesmo ou por outros autores. Porém acaba preenchendo esse espaço com os vestígios de uma nova ação. Se Rauschenberg não consegue retornar à página vazia, à página “em branco,” tampouco é isso que Danziger busca. As operações empreendidas para realizar o apagamento e suprimir as suas inscrições acabam também por agredir o papel, alterar sua superfície, produzem novas marcas que encarregam-se de denunciar essa tentativa. O ato de apagar pode pretender suprimir, fazer desaparecer, porém consegue apenas desvanecer, desbotar, abrandar. O vazio não é alcançado, nem parece ser o real objetivo. Consoante a isso, pode-se recorrer a Georges Perec, que faz uma primorosa descrição de uma sala vazia, onde “resta o que resta quando não resta nada” (2009: 43) – e quanto há para se descrever nessa sala. Assim, por fim, apesar de reduzirem a quantidade de imagens e grafismos presentes no trabalho, ao apagar acrescentam-se novos conteúdos. A obra permanece impregnada com a memória e os vestígios de cada uma dessas ações, da inscrição e do apagamento.