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:ESTÚDIO 3

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da produção cinematográfica só foi possível a partir de 1995 (Oricchio, 2003), após a criação de leis de apoio e incentivo (em 1991 e 1993) que demoraram a surtir efeito. Atualmente o Ctav é ligado à SAV (Secretaria do Audiovisual). De Janela pro Cinema é o resultado deste contexto, podendo ser considerado o representante da animação autoral na “retomada” do cinema brasileiro. Trabalhando com o apoio do Ctav, Rodrigues primeiramente desenvolveu uma vinheta para um festival em comemoração aos 100 anos de cinema, baseada no personagem Nosferatu. Porém, a produção atrasou. Mas devido ao seu resultado visual expressivo, encontrou o apoio de Sérgio Sanz (então, diretor do Ctav), que resolveu produzi-la como um curta-metragem. Influenciado por grandes sucessos nacionais, como A Dama do Lotação (de Neville de Almeida, 1978) e Macunaíma, Rodrigues cria sua animação como um resgate cultural, estética e narrativamente. As muitas influências externas à cultura brasileira foram deglutidas e devolvidas à tela como que guiadas pelo manifesto antropofágico Oswald de Andrade (1928): “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.” Plasticamente, a questão antropofágica sempre esteve presente na Arte da Animação, como nas primeiras metamorfoses em Fantasmagorie (de Émile Cohl, 1908) e em Batuque (de Still, 1969), realizado em papel de embrulho e desenhos com hidrográfica, em que uma figura devora a outra numa dança de mitos amazônicos (Bruzzo, 1996) – outro brasileiro que driblou a escassez de recursos com criatividade. Em De Janela, a antropofagia apresenta-se na narrativa. Os mitos do cinema, de épocas e culturas diversas, são realocados em um novo ambiente

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 130-135.

Figura 3 Othelo no colo de Belle. Fonte: acervo do diretor.


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