Quando decidimos fazer parte da viagem, numa obra de Mohr, torna-se clara a ponte entre um raciocínio lógico e uma preocupação estética. Mas podemos dizer que aquilo que distingue a obra de Mohr, para além do método criativo é o desejo em criar signos minimais com base em sistemas algoritmos. Para Mohr era fascinante o que o computador, como meio ou ferramenta artística permitia, nomeadamente o de controlar a racionalidade imposta pelo artista na obra de arte e no processo artístico. Precisão, objectividade e ausência de erro eram razões fundamentais para o autor, na criação ‘(des)construtivista’. Sendo assim, o que Mohr chamava de ‘emotional clouding’ à subjectividade ou emoção não seria uma premissa na criação do seu trabalho. Even though my work process is rational and systematic, its results can be unpredictable. Like a journey, only the starting point and a hypothetical destination is known. What happens during the journey is often unexpected and surprising (Mohr, 2002). É desafiante descodificar conceitos que o próprio fez por codificar durante 30 anos. Estaremos a subjectivar obras impenetráveis, fechadas às suas próprias regras? Ou será cada obra um código, mas também uma viagem à descoberta de novas possibilidades no mundo da arte digital e generativa? Referências Kurtz, T. (1994). Manfred Mohr. Zürich: Waser Verlag. Mohr, M. (2002). “Generative Art.” In L. Candy, & E. A. Edmonds, Explorations in art and technology London: Springer-Verlag. ISBN 1-85233-545-9
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Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 126-129.
Conclusão
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computador. Mohr considerava que já não era necessário a criação de um sistema de signos e vocabulário estético que depois seriam montados na tela. O que interessava agora era o desígnio da sequência e a ideia principal. Quando Mohr evidencia que “The viewer will have to learn to observe small changes in signs and their parameters so as to attain to a new sensitization of his visual field,” estava já a preocupar-se não apenas com os resultados estéticos mas com o processo algorítmico. O aleatório para Mohr era fundamental como parte desse processo criativo, pois daí surdia o inesperado.