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:ESTÚDIO 3

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‘Monograph,’ é uma série de projectos artísticos criados entre 1960 e finais dos anos 90. Apesar de não existir nenhum plano intencional no percurso de Mohr entre ‘génio impulsivo’ e criador digital é evidente um desenvolvimento teórico e artístico consistente e bastante notável para a época (Kurtz, 1994). A aquisição de uma plotter com ligação a um computador, feita na época pelo Instituto de Meteorologia de Paris, despertou o interesse de Mohr em explorar novos métodos criativos com base em sistemas algoritmicos. Para o autor o computador torna-se uma extensão física e intelectual no seu processo criativo, sendo por isso a ferramenta principal de geração visual (Mohr, 2002). São três, os passos evidentes que caracterizam o trabalho de Manfred Mohr, principalmente durante a fase incial de ‘Monograph’. 1.1 Racionalismo a preto e branco

Se o branco é luz, o preto é a ausência da mesma. Esta combinação tornou-se essencial para Mohr, que deixou de usar a cor para poder investigar outro tipo de relações, nomeadamente o uso do preto e branco. O que na pintura minimal significa a redução da escolha cromática, é uma ordem/instrução de ‘sim’ ou ‘não’ no sistema binário. ‘Black and white as my exclusive visual components allows the elaboration of a rigorous system of binary decisions’ (Mohr, 2002). O trabalho criativo do autor foi várias vezes comparado ao trabalho de Josef Albers. Este descrevia a sua arte como investigação nas interacções de cor que trabalhava. Para Mohr, o objectivo é alcançado quando feito através de uma escolha simples entre duas possibilidades; estes limites por ele impostos são vistos como simplificação e não como perda. 1.2 Geometrismo

A partir de 1965, Mohr, já não se preocupava em criar emoções espontâneas através do pincel, antes pelo contrário, o raciocínio lógico e a exactidão era o que o autor pretendia transmitir na sua criação. Isso fez-se sentir no domínio do linear, nos espaços vazios que conotavam volume e espacialidade, nas linhas

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 126-129.

1. Os três passos determinantes em ‘Monograph’

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criador. Apesar de anti-académico, chegou a frequentar várias escolas de arte e foi introduzido a alguns movimentos artísticos como o ‘avantgarde’; mais tarde deixou-se influir por autores como Max Bense (filósofo alemão) e Pierre Barbaud (compositor francês), dizendo que, tinham sido estes os responsáveis pela sua mudança radical de pensamento crítico, apontando para uma construção racional da arte (Mohr, 2002). Este artigo pretende explorar os três passos fundamentais da obra de Manfred Mohr, que o levaram a ser o primeiro homem a expôr arte generativa numa galeria de arte.


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