119 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 119-125.
Figuras 1 a 4 Vistas externa e internas do Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia, cidade de Uberlândia, MG, Brasil. Fonte própria.
À sua volta, surgiram o cemitério, o rego d’agua da servidão pública e as primeiras casas do arraial. Nessa praça, encontra-se o Museu Universitário de Arte (MUnA), o edifício mais antigo desse lugar onde tudo foi transformado, renovado, apagado. Cercado por uma estreita calçada, está o limiar entre o antigo armazém e o ousado espaço de exposições em seu interior. Atravessado em um instante, pode levar o visitante desavisado a uma experiência inédita. Aos que já acompanham as atividades do MUnA, desde sua criação (1996), trata-se da busca de uma nova experiência estética, o penetrar em um mundo de idéias e formas (Figuras 1 a 4). Talvez essa experiência de passagem, mais que uma experiência temporal, uma experiência fenomenológica, tenha impactado a artista Laurita Salles (1952, São Paulo) em sua primeira visita ao MUnA em 2008. Alguns meses mais tarde, ela voltou ao museu trazendo a exposição Imagens Novas, que tem a própria galeria do museu como protagonista. O espaço, apesar de asséptico, com paredes brancas e iluminação natural, não corresponde ao que poderíamos considerar um típico cubo branco (O’Doherty, 2002), porque há ali um tanto de personalidade arquitetônica combinada com elementos originais de um antigo edifício comercial. Trata-se de um espaço de três planos, ou seja, o nível da rua ligado por duas escadas ao do mezanino e ao do chão. A altura do pé direito – superior a cinco metros – determinou a criação