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:ESTÚDIO 3

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João Paulo Queiroz

Na :Estúdio 3 vê-se o mar. Afirma-se com ênfase uma escolha que se está a desenhar nítida: artistas menos conhecidos mas de qualidade e arte no mundo de expressão ibérica. A plataforma de expressão linguística (português / castelhano) transporta com ela a exposição a intensidades localizadas, inesperadas, excêntricas. Revelam-se autores, acontecimentos e obras, que no paradoxo de existirem na proximidade, descobrimos o quanto são desconhecidos: autores como José Corrales (Cárceles Pascual, 2010), Luis Ricaurte (Rondán, 2010), Marepe (Lolata, 2010 a), Cândido Lima (Santana & Santana, 2010), Salette Tavares (Reis, 2010 a), Momu & No Es (Cantalozella Planas, 2010) ou Francisco Afonso de Chaves (Reis, 2010 b), entre outros. O contexto que permite esta escolha e esta realidade da :Estúdio merece um olhar abrangente e alargado. O paradigma formalista das vanguardas, que emancipou a arte mas que isolou o artista do discurso verbal e da intervenção social e cívica, está já distante. O criador é esperado pela sua intervenção em várias esferas: as causas da globalização, a oposição global / local, os problemas de género, os blocos emergentes de legitimação mundializada, o multiculturalismo e o neocolonialismo, o neoliberalismo, os temas da sustentabilidade, da arte urbana, ou a recente emergência da intervenção crítica ao art world através das propostas alternativas de agenciamento e curadoria, os projetos que saltam diretamente para onde a arte ocorre, para onde a arte funciona. Os criadores já não criam obras dignas de ‘frios cumes brancos’ e afastados ‘dos recantos mornos’ da humanidade como propusera, com a sua ‘hipótese estética,’ Clive Bell, (1987, p. 36), ou, num dos seus paroxismos, dignas do interior do cubo branco (O'Doherty, 2007). Os artistas exteriores aos mundos da arte e aos países financeiramente mais fortes estão a criar os seus públicos, a inventá-los, num movimento sem precedentes e de escala global de verdadeira convocação invisível, tendo como um dos resultados um surpreendente e inovador fenómeno de educação artística

Queiroz, João Paulo (2011) “Neste :Estúdio de vista para o mar.” Revista :Estúdio. ISSN: 1647-6158. Vol.2 (3): 11-13.

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Neste :Estúdio de vista para o mar


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