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:ESTÚDIO 3

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Figura 2 Dione Veiga Vieira, Fotomontagem

embebida em argila, uma tigela em cerâmica com água e argila e uma fotografia (sobreposição de imagens digitais). Veiga Vieira parte da utilização de objetos praticamente in natura, objetos perfeitamente reconhecíveis na sua aparição, o oposto da imagem abstrata, a não ser pela fotografia, em que as imagens digitais sobrepostas confundem até certo ponto a legibilidade do objeto. Essa obra não mais existe. Apenas a foto que compunha a obra restou como o último vestígio material do conjunto (Figura 2). A natureza prosaica dos materiais utilizados na sua composição determina a efemeridade como parte de seu processo e dá visibilidade aos fenômenos e alterações químicas da matéria frágil. – “[...] a duração do material é muito relativa, a sensação é de uma outra ordem, e possui uma existência em si enquanto o material dura” (Deleuze & Guattari, 2007: 248). Os registros fotográficos, realizados quando a obra esteve exposta, reforçam a idéia da assepsia cerimoniosa dessa composição, um bloco de sensações, um composto de perceptos e afectos, guardado em suspenso. O que se conserva, de direito, não é o material, que constitui somente a condição de fato; mas, enquanto é preenchida esta condição (enquanto a tela, a cor ou a pedra não virem pó), o que se conserva em si é o percepto ou o afecto. Mesmo se o material só durasse alguns segundos, daria à sensação o poder de existir e de se conservar em si, na eternidade que coexiste com esta curta duração (Deleuze & Guattari, 2007: 216)

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 102-107.

Figura 1 Dione Veiga Vieira, O Nascimento de Afrodite Sobre a Origem e Criação, 2007 – 2008.


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