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Figura 2 ∙ Página 43 do livro de Sérgio Macedo. Fonte: própria.
Nos anos de 1980, Sérgio Macedo não possuía scanner e nem computador. Afirma que procurou realizar uma História em Quadrinhos ‘documentária’, e que privilegiou o realismo naturalista nos desenhos. Todos os Quadrinhos, (com exceção de três imagens realizadas em desenho digital), foram pintados com acrílico sobre papel, pincel e aerógrafo. Há riqueza e fidelidade nos detalhes, tanto nas paisagens, quanto na retratação dos índios, das pinturas corporais, adereços, arte plumária, como nas atividades cotidianas, rituais e místicas das tribos, circunstâncias conflitantes e difíceis sofridas por eles. Muitas imagens foram criadas a partir de fotografias publicadas pela imprensa e por fotografias enviadas a ele, quando residia no Taiti — local em que ampliou seu olhar multicultural, ao conviver durante vinte e seis anos com a cultura Ma’ohi. Em 1987, deixa o Taiti, e juntamente com sua esposa taitiana, dirige-se ao norte do Mato Grosso, no Brasil, para viver alguns meses na aldeia Kayapó Metyktire. O contato com os lideres: Ropni (muito conhecido como cacique Raoni), Lobal, Kremoro e Krumare marcou definitivamente a sua vida e trajetória. Neste período de ‘aprendizado’ e influência desenvolveu um novo olhar, novo escutar e sentir — uma imersão visual, cromática, sonora, aromática, cotidiana, de partilhas de crenças, conceitos, num universo integrado à natureza.
Revista :Estúdio, Artistas sobre Outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 5 (9): 79-84.
Figura 1 ∙ Capa do livro de Sérgio Macedo. Fonte: própria.