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:ESTÚDIO 8

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92 Bronze, Manuela (2013) “O Rio do Ouro: uma ideia de paisagem.”

Figura 3 ∙ Paulo Rocha, O Rio do Ouro, 1998, Plano Médio/fotograma: cena do filme. Fonte: própria Figura 4 ∙ Paulo Rocha, O Rio do Ouro, 1998, Plano Geral/fotograma: cena do filme. Fonte: própria

Com efeito, no enquadramento, a composição e os valores das várias manchas são idênticos e sublinhados pela caligrafia de algumas linhas de força que articulam a dinâmica das manchas. Quando Carolina (Isabel Ruth) dá as costas ao espectador (Figura 5) estamos perante um Plano Médio, subjetivo na sua dimensão simbólica, ainda que o não seja tecnicamente e onde o enquadramento da paisagem é reforçado, estruturalmente, pelo ângulo da grade com o prumo, de uma varanda voadora. Daqui olhamos uma paisagem onde uma massa rochosa mergulha no dourado baço do rio Douro. Uma espécie de rima textural com carácter expressionista acontece entre o vestuário da personagem e esse elemento geográfico. Perante o volume da paisagem visível, os componentes articulam-se e interpenetram-se como uma unidade pictórica. No filme, estas duas unidades (Carolina e rochas) assumem, no silêncio, um conflito de personagens, numa modulação de escala aumentada, em cuja textura se reflete a agrura da existência e a identidade geográfica da paisagem.


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