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:ESTÚDIO 8

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das suas formas quadrangulares, uma articulação formal entre um romantismo pitoresco e um certo abstracionismo que se pode identificar, em PR, de influência japonesa e modernista. A paisagem tinha sido o lugar, depois o tema, finalmente o argumento fundamental — e esta caminhada para a sua autonomia de outras narrativas trouxe-lhe a libertação do carácter representativo. À medida que a paisagem se enuncia na problematização de uma relação do homem com o mundo, assim decresce a evidência objectiva da natureza. (Castro, 2006)

Precisamente, este grande espaço de evidência acontece quando, neste Plano Médio (Figura 3) a anterior paisagem morfológica é abruptamente trocada por uma nova forma quadrangular, negra, que invade a tela superlativando, num gesto pictural, aquilo que a montagem, em cinema, resolveria com um fundido. Este recurso ao elemento material que é a vela de rabelo, será agora uma imagem retrabalhada que a nossa percepção faz coincidir com o quadro negro de Malevitch, isto é, uma outra identidade paisagística de carácter simbólico. Após a escolha dos enquadramentos e numa coincidência recentemente observada, a legenda da tradução da letra da canção, ‘A acenar para a morte’ (Guimarães, 1998) repete-se, vindo reforçar a própria escolha, pois os dois enquadramentos (Figura 4) com diferentes tipos de planos podem, objectivamente, equiparar-se na sua plasticidade; sendo eles, metaforicamente e no discurso do tempo: premonição e fecho (na imagem da barragem) de todo um elenco de peripécias dramatizadas no meio-paisagem.

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 88-94.

Figura 2 ∙ Paulo Rocha, O Rio do Ouro, 1998, Plano Geral/fotograma: cena do filme. Fonte: própria


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