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O Rio do Ouro: uma ideia de paisagem
Bronze, Manuela (2013) “O Rio do Ouro: uma ideia de paisagem.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 88-94.
Manuela Bronze*
Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013
*Portugal, artista plástica e figurinista. Artes Plásticas, Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP); Master of Fine Arts in Costume Design, Boston University, EUA; Doutorada em Artes, Fac. Belas Artes, Pontevedra, Universidade de Vigo, Espanha. AFILIAÇÃO: Instituto Politécnico do Porto, Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo (ESMAE). Rua da Alegria, nº 503, 4000-045, Porto, Portugal. E-mail: manuela.bronze@gmail.com
Resumo: Este artigo visa abordar a singula-
ridade de alguns aspectos relacionados com a paisagem, em planos de O Rio do Ouro, 1998, filme realizado Paulo Rocha (PR). Selecionadas algumas sequências, são caracterizados os planos cinematográficos que, se tornam, assim, mais próximos da ideia de pinturas, sobretudo para explorar a abordagem ao pitoresco, no âmbito do conceito de paisagem. Palavras-chave: Pitoresco / cinema / pintura / narrativa / enquadramento.
Title: The idea of landscape at “Rio do Ouro” Abstract: This article aims to address the
uniqueness of some aspects of the landscape, from the plans of O Rio do Ouro, 1998, a film directed by Paulo Rocha (PR). Once chosen some sequences, the film plans that become thus closer to the idea of paintings, will be characterized especially to explore the picturesque approach within the concept of landscape. Keywords: Picturesque / cinema / painting / narrative / framing.
Introdução O Rio do Ouro, filme realizado por Paulo Rocha (1935-2012) conta a história de um grande e horrível crime (Guimarães, 1998). Uma narrativa melodramática situada na província, entre o Douro e o Porto, que convoca paixões funestas sublinhadas pela força telúrica das margens do Rio Douro. O que neste filme se deve à paisagem depende do facto de o próprio título convocar — o rio — elemento material, constitutivo do reportório de identificação na pintura de paisagem. Conhecendo-se o Douro, identificam-se alguns panoramas seja pela pertença, seja porque se o atravessa, em deambulações mais ou menos turísticas.