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Andrej filho de Andrej filho de Andrej: uma dádiva

Taveira, Rogério P. Raposo Alves (2013) “Andrej filho de Andrej filho de Andrej.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 70-74.

Rogério Paulo Raposo Alves Taveira*

Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013

*Portugal, artista visual, professor universitário. Licenciado em Arquitectura e Doutorado em Belas-Artes. AFILIAÇÃO: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de investigação em Belas-Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. E-mail: rogeriotaveira@sapo.pt

Resumo: Este artigo aborda uma parte muito específica da obra de Rui Chafes. Aquela em que ele abandona no meio natural, especificamente na costa atlântica em Sintra, peças escultóricas. Deste abandono restam apenas algumas fotografias das esculturas na paisagem. Do acto em si, resiste uma significação perene, uma sombra mais negra que aquela impressa nas fotografias ou pintada nas suas esculturas. Palavras-chave: Abandono / Dádiva / Natureza / Rui Chafes.

Title: “Andrej filho de Andrej filho de Andrej”: a gift Abstract: This article focuses on a specific

body of work of Rui Chafes. In the Atlantic coast, in Sintra, he abandons sculptures. The only thing left of this act, are some black and white photographs of the sculptures in the landscape. The act itself has a stronger and perennial meaning: a black shadow, darker than the darkest black on the photographs. Keywords: Abandonment / Gift / Nature / Rui Chafes.

O carácter acidental da natureza parece também unir-se, por si, à ideia da personalidade humana e, desse modo, pode parecer mais inteligível, ao considerá-la um ser humano. Por esta razão, foi a poesia o instrumento favorito do amigo da natureza; e nos poemas é onde mais claramente se manifestou o espírito da mesma. Ao ler ou ao escutar um poema verdadeiro, experimentamos a sensação de que se comove uma inteligência muito íntima da natureza; e flutuamos, como um corpo celeste, nela e sobre ela em simultâneo (Novalis, 1988a: 35).

Rui Chafes não consegue precisar o ano exacto em que a ideia de oferecer uma obra à Natureza o assaltou. Esculpia ainda em pedra, nessa altura, no antigo


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