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56 Valadares, Carlos Murilo da Silva (2013) “A paisagem contemporânea de Mario Zavagli.”

não se limita a reproduzir um cenário natural, mas conduzir o observador a um novo domínio de apreciação visual, por meio de estímulos insuspeitos para a maioria: a inusitada forma e textura de uma rocha, a luminosidade prateada das nuvens no horizonte. A experiência perceptiva oferecida por estes elementos conduz o observador a um estado de dúvida acerca da obra: será ela uma fotografia? Poderão existir na natureza elementos de tão exatos desenhos e clareza de formas? Umberto Eco entende este fenômeno como “[...] ambiguidade fundamental da mensagem artística [...]” (2005: 25). Didi-Huberman reflete sobre a mesma ideia: “[...] Então, compreendemos que a mais simples imagem nunca é simples, nem sossegada como dizemos irrefletidamente das imagens [...]”. (Didi-Huberman, 1997). A ambiguidade e o estranhamento certamente fazem parte da obra de Mário Zavagli, elementos presentes nas linguagens estéticas contemporâneas. A arte contemporânea, feita em nossos dias, tem como uma de suas características a ausência de limites relativos a materiais, temas ou suportes. Esta multiplicidade de possibilidades já posiciona a obra de Mário Zavagli em relação a outros artistas em produção. Em grande medida, a paisagem é um tema estranho e até mesmo surpreendente, em relação ao conjunto da produção artística em voga, a exemplo das obras de arte de base eletrônica ou tecnológica. Mas é justamente neste território das manifestações digitais que encontramos a confluência entre dois universos tão distintos: os jogos digitiais. Diversos jogos incorporam a paisagem como elemento fundamental de seus cenários. Neste sentido, as aquarelas de Mário Zavagli apontam para um movimento maior de renovação e recondução da figuração na arte contemporânea, que a exemplo dos jogos, acontece em diversas formas de manifestação estética. Conclusão

Buscamos neste artigo compreender como as paisagens de Mário Zavagli se inserem na produção visual contemporanea. Entre nossas constatações, salientamos [a] a convicção da importância da figuração no contexto da arte contemporãnea, como afirma De Franceschi (IMS, 2002). Seu posicionamento quanto ao tema a paisagem reflete as razões e anseios de muitos outros artistas contemporâneos que adotaram a paisagem, na intenção de identificar no mundo lugares que precisam, de alguma forma, serem entendidos e eternizados; [b] sua obra como um ponto referencial acerca da recondução da paisagem, como gênero pictórico, ao centro da produção contemporânea.


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