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:ESTÚDIO 8

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1. Do percurso da paisagem como gênero expressivo

A paisagem não constituiu sempre um gênero artístico autônomo, dotado de características e problemas representacionais próprios. O exercício de representação da paisagem teve uma história conturbada. Anne Cauquelin, em seu livro “A invenção da Paisagem” (2007), pensa a gênese das representações de paisagens em termos de uma aspiração do artista à criação de um equivalente da natureza: a paisagem como um objeto construído, uma vontade de presenciar um jardim perfeito, uma criação da natureza intocada por humanos. Na Idade Média, a representação da paisagem era objeto de importância secundária para os artistas, dado que a produção artística deveria atender aos interesses da igreja, de modo a servir como guia espiritual e pedagógico aos fieis iletrados (Gombrich, 2008). A busca pela representação da natureza como gênero começa de fato no renascimento. É possível dizer que as ideias pictóricas que tão bem caracterizaram este período tiveram inicio com as descobertas de Giotto di Bondone, que viveu entre c. 1267 a 1337 (Gombrich, 2008). Entre suas invenções, figuram as técnicas que devam a ilusão de volume em suas figuras, em oposição às formas achatadas do período anterior. A representação da paisagem atingirá um patamar antes inexistente, quando pintores como Claude Lorrain (1600-1682) realizaram imagens que conduziram o expectador a um nível superior de apreciação da beleza do mundo natural. (Gombrich, 2008). John Constable (17761837) estabelece o novo marco técnico e pictórico na pintura de paisagem. O próprio artista afirmou que, em seu tempo “[...] Existe lugar de sobra para um pintor natural […]”, e que o “[...] grande vício da atualidade é a bravura, uma tentativa de fazer algo além da verdade” (Gombrich, 2008, p. 49), referindo-se ao se desejo de transpor para a tela as cenas captadas por sua visão. Mas a renovação virá com o movimento Impressionista, que segundo Gombrich, possibilitou aos artistas a liberdade representar tudo o que a natureza oferecia ao artista (2008). A paisagem tornou-se, para artistas como Paul Cázanne, motivo completo e suficiente, e esse comprometimento com a natureza será comum a muitos artistas daquele período e nos anos futuros (Chipp, 1996).

53 Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 52-57.

de campos, plantações e florestas de diversas localidades do estado de Minas Gerais, como a Serra da Mantiqueira, Serra da Boa Esperança, os arredores da cidade Diamantina e Guaxupé. A análise da obra de Mario Zavagli será conduzida no sentido de compreendermos melhor como a paisagem se insere no contexto da arte contemporânea, considerando a miríade de processos, materiais e experimentações que caracterizam um grande número de obras de arte em nosso tempo presente.


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