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:ESTÚDIO 8

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262 Latka, Joanna (2013) “Paisagem fragmentada na gravura de Maria Gabriel.”

Figura 1 ∙ Maria Gabriel, Paisagem fragmentada,1969, xilogravura, 29 × 38,5 cm, Edição GRAVURA, fonte: Maria Gabriel. Figura 2 ∙ Maria Gabriel, O apelo à paisagem, 1969, xilogravura 46 × 47,5 cm, fonte: Maria Gabriel.

ca impressão. Todavia, a obra de artista tanto na pintura como na xilogravura nunca foi muito “material”, tendo sempre mais de concepção do que de textura. Aliás, a forma plástica que Maria Gabriel pretende mostrar na sua obra, é a linha do desenho e a sua própria construção geométrica (Gabriel, 2013). Portanto, olhando para obras efectuados em técnica de madeira (Figura 1, Figura 2), percebemos, que além de linhas de desenho, a obra não tem textura gravada propositadamente, e a única textura que está presente na sua obra é a pintura colorida de superfícies de madeira. Percebemos ainda, que através dessas gravuras, tal como noutras provas da sua forte atividade artística, na obra de Maria Gabriel a paisagem está sempre presente, nunca de forma direta, somente de forma metafórica. No entanto, na série Ritmos Campestres, apresentada em 2000 no Museu de Traje Nacional (Lisboa), a artista recorre ao modo de colagem para realizar as suas visões naturalistas, criando os elementos gráficos das suas peças. Maria Gabriel simplesmente desenha/pinta (aguarela) e cola os fragmentos dos antigos trabalhos (xilogravuras, provas de estado em papel offset, etc.), ou outras matérias encontradas no ambiente do seu atelier (panos de limpeza dos pincéis), que a artista guarda para utilizar mais tarde, fazendo uma reutilização do que em principio deveria ser considerado desperdício (Gabriel, 2000:6). Recolhendo este modo de expressão plástica, a artista volta assim, às memórias da juventude campestre da sua terra familiar, onde artista passou a sua infância dos 5 aos dez anos (conselho de Covilhã), ou das suas memórias dos passeios pelo parque Monteiro-Mor, que Maria Gabriel nos apresenta em forma de colagens fragmentadas — os seus lindos contos de temática campestre, como por exemplo Puzzle Campestre (1999) ou Ritmos Campestres (1999). Porém, a criadora pela utilização destes desperdí-


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