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responsável pela sua iniciação na área da gravura. Lembramos também, que a artista foi membro de direção da Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses de 1969 a 1973, e que desde 1977 até hoje em dia, faz a parte de Corpos Diretivos de SNBA.
(....) simulam um diálogo incessante e tautológico. Ao mesmo tempo é secreto, mas deixa-se comunicar nas linhas e nas cores. De que diálogo se trata? Nesse desejo imenso de quebrar a solidão a que nos conduziu a sociedade contemporânea, restará ao ser humano a transmissão da sua subjetividade como único meio para se libertar? (Tavares, 1987, s/p)
3. Paisagem Fragmentada
Experimentando, num modo espontâneo, Maria Gabriel encontrou no trabalho de xilogravura o que podia fazer na pintura, achando na construção das suas matrizes fragmentadas (puzzle), uma forma de expressão que ficasse parecida com o seu registo em pintura (Gabriel, 2013). A artista para criar a sua matriz, juntava vários fragmentos de madeira numa única peça, pintando com variados modos de tintagem (talha doce ou e/com rolos), cada elemento com cor diferente, chegando a obter assim, provas de várias cores opacas, através numa úni-
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 259-263.
2.
A representação de campestre surge no trabalho de Maria Gabriel na forma de “Paisagem fragmentada”, tanto numa perspetiva técnica como na sua abordagem formal. Por um lado, por exemplo, na xilogravura, a artista constrói a matriz de forma fragmentada como um puzzle (recorre a várias madeiras, pinta cada pedaço com cor diferente, através dos variados modos de aplicação de tinta — talha doce, rolo, etc.; — juntando todos elementos numa única peça). Por outro lado, as suas paisagens surgem como composições geométricas e abstratas, acentuando o cariz simbólico, resultante da sua própria interpretação do tema, revelando o seu intimo mundo da imaginação campestre das memórias das suas viagens ou das memórias de infância. A Maria Gabriel, com este seu desafio permanente, cria a grande dúvida que permanece insuportável e insustentável, e cuja construção sofre múltiplas metamorfoses. (...). A artista, juntamente com a sua dramaticidade que se desenvolve em figuras antropomórficas, raiadas pelo absurdo (...) e por uma interpretação cubista (Tavares, 1987:s/p). A gravadora, através das suas obras, refere que tudo na vida se dilui metaforicamente com a natureza, visto vivermos tempos em que tudo é fragmentado, até na nossa própria linguagem, que é a nossa forma mais vulgar de comunicação (Gabriel, 2013). Por isso, a artista cria um dialogo com as suas reflecções gráficas que: