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técnica como na sua formalidade. Visto que a irracionalidade tem tomado conta deste mundo incerto onde cada vez existe menos lugar para o poético (Gabriel, 2003:3), é exatamente dentro dessa linguagem bastante poética, que a artista prova que a temática campestre pode ser incrivelmente interessante e mostrada de forma nada banal. Assim, com os seus notáveis trabalhos, a artista convida-nos a abandonar por momentos o difícil mundo exterior do quotidiano terrestre onde o peso do corpo existe (Patrício, 1995:s/p).
Latka, Joanna (2013) “Paisagem fragmentada na gravura de Maria Gabriel.”
1.
Maria Gabriel, é uma referência interessante na gravura contemporânea portuguesa. No seu currículo podemos contar com inúmeras exposições individuais e coletivas de gravura, pintura e desenho, tanto no território nacional como no estrangeiro. A artista, foi por diversas vezes premiada em Portugal, e representou o país nas mais importantes competições internacionais. A obra de artista encontra-se em várias coleções públicas e privadas em Portugal, Alemanha, Canadá, França, Inglaterra e nos Estados Unidos da América. Maria Gabriel começou a sua carreira artística aprendendo pintura na SNBA — Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, em 1959. Entre 1967 e 1968 frequentou os cursos de gravura artística na Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses — GRAVURA, com orientação de Alice Jorge e João Hogan. Em seguida, depois da sugestão de João Hogan, ficou bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para desenvolver a técnica de talhe doce na gravura em madeira. A partir 1972, ainda viajou para Alemanha onde estagia por vários períodos na Hochshule für Bildende Kunst (Hamburgo), com os professores Almir Mavignier e Peter Paul, e ainda Rainer Oehms. Nos anos 1988/89 a artista foi também bolseira do Fundo de Fomento Cultural. (...) a obra de Maria Gabriel impõe, entre o jogo, o susto e a raiva, uma dramaticidade real e bem presente. Talvez, mais do que possamos imediatamente julgar, venha a tornar-se o retrato possível em que todos entramos ou de que, esforçadamente e sem glória, queremos, enfim sair (Azevedo, 1984: s/p).
Além destes fatos, há a destacar que a artista, teve uma importante atividade educativa na formação de novos gravadores em cursos organizados pela Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, ou na publicação — em coautoria com Alice Jorge — do único livro português sobre a aprendizagem das técnicas de gravura artística: Técnicas de gravura artística (Livros Horizonte, 1986). Este livro resulta da sua própria experiência nos estágios em Hamburgo, e do facto de Alice Jorge, então sua colega no domínio das artes, ter sido