206 Cardoso, Silvia H. dos Santos (2013) “Anna Mariani e as casinhas nordestinas.”
matiz, conseqüentemente, apontando para outra percepção visual e, portanto, cultural, como na Figura 3. A cor é um fenômeno físico porque depende da luz para existir, como enfatizou o cientista inglês Issac Newton (1643/1727), contudo não é só isso, é percepção visual também — os olhos e o sistema cerebral são os aparelhos da visão e da interpretação da cor — e tal percepção está no universo da cultura, portanto cor pode ser tratada como uma manifestação cultural. Se a cultura é a ferramenta que orienta o homem, a percepção da cor, não está só no plano fisiológico da visão, mas também está para a associação psicológica da percepção visual, somadas às suas qualidades estéticas, como tratou o estudioso alemão Johann Woefgang von Goethe (1749/1832) em Doutrina das Cores (1810). Goethe apresentou uma visão mais ampla e livre acerca da percepção visual e, também, da cor, uma vez que reconhecia o elemento subjetivo no processo de criação poética, e de reconhecimento e combinação da cor. Em última análise, a cor é um fenômeno fascinante que desperta sensações, interesses e deslumbramentos, como salientou Barros (2006). Neste percurso, o elemento subjetivo deve ser considerado no processo de significação cromática, pois no trabalho criativo a intuição é um instrumental quando do trabalho com cor e cores. Considerações Finais
A análise aqui desenvolvida não pretende uma perspectiva redutora. Não está somente para a Antropologia que estuda a cultura como fator preponderante para a compreensão da natureza humana. Como somente para questões relacionadas à beleza, à estética e/ou técnicas da fotografia. Contudo, nossa perspectiva é tentar trazer à luz a cor como característica importante e de destaque na região nordestina brasileira, como na Figura 4. A cor nas fachadas é tratada como pintura pelos próprios habitantes. A pintura já esteve somente sobre a tela, mas agora no cenário contemporâneo a pintura é reconhecida em perspectiva expandida: na parede, no mural, no chão, na fachada. Todas são pinturas. O que querem dizer? As casinhas nordestinas e, especificamente, suas fachadas com suas cores e ornamentos funcionam como cartão de visita, um convite, ao menos, para observar a casa. Neste raciocínio, a cor representa também um fator de sociabilidade — contempla uma dinâmica social — uma interação entre os locais e os estrangeiros. O artista escocês David Batchelor (1955), em palestra recente em São Paulo (agosto de 2013), afirmou que ‘a cor nos expõe ao mundo’. Nesta perspectiva, as casinhas coloridas revelam certa percepção dos moradores das cidades registradas por Anna Mariani sobre o mundo. Não existe um padrão único,