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:ESTÚDIO 8

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Reisewitz incorpora à Ituporanga a janela como dispositivo do olhar e da crença, não para colocar a natureza à distância e sim para torná-la mais próxima. Isto se produz pela tomada fotográfica: o artista neutraliza o ponto de vista do homem diante da grande queda d’água. Seu olhar se constrói a partir de um ponto de vista ideal, frontal e flutuante. Ao excluir a dimensão do humano na representação da paisagem, quer forjar sua presença e confrontá-la com seu deslocamento pelo espaço da instalação. Assim, de posse da paisagem enunciada pela fotografia, o artista a amplia, divide em partes e imprime em substrato translúcido, para aderi-la aos retângulos de vidro da janela, provocando a ilusão de que a natureza, em toda a sua força, está mais perto, porém, lá fora. 2. Lugar social: “o bairro; a instituição” As práticas artísticas contemporâneas, informadas pelo pensamento contextual desafiaram “‘a inocência’ do espaço e a concomitante pressuposição de um sujeito/espectador universal (apesar de possuidor de corpo físico) tal como defendia o modelo fenomenológico” (Kwon, 2008:168). Trata-se das práticas de teor crítico-institucional que levarão em conta, nas suas produções, os padrões sociais do espectador. A observação da interação dos frequentadores do SESC, em contato com o trabalho, fez-me acreditar que o artista se perguntou “onde?” e “para quem?”, ao conceber esta instalação-paisagem. Com um número extraordinário de frequentadores, o Belenzinho é a maior

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 160-165.

Figura 2 ∙ Vista do átrio sobre a piscina. SESC Belenzinho, São Paulo. 04-01-2011.Foto de fonte própria.


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