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:ESTÚDIO 8

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Rauscher, Beatriz B. da Silva (2013) “A imagem como oásis: o lugar e a paisagem perdida.”

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Figura 1 ∙ Caio Reisewitz. Ituporanga, SESC Belenzinho, São Paulo, dez.2010-jan.2011. Foto de fonte própria.

1. Lugar físico: “a janela” A fisicalidade do lugar é determinante em Ituporanga. Entrando no átrio do prédio do SESC, a janela de vidro, em sua monumentalidade, é presença contundente. Mas não é só: seu recorte em retângulos está rebatido no chão de vidro que a espelha e, ao mesmo tempo, deixa ver a piscina olímpica no andar de baixo do edifício. Chão e parede de vidro colocam em jogo espelhamentos recíprocos (Figura 2). A visão da cachoeira refletida no piso se encontra com a água da piscina, como se nela desaguasse. A obra em contexto, exige a presença corporal do espectador “em imediatidade sensorial da extensão espacial e duração temporal (...) mais do que instantaneamente ‘percebida’ em epifania visual por um olho sem corpo” (Kwon, 2008 :167). Se a criação de Reisewitz está baseada na experiência corporal da arquitetura do lugar, esta transborda para a obra, tanto pela radicalização do aspecto dimensional da imagem — já, em certa medida, presente no programa do artista — quanto pela escolha do elemento água como objeto de referência da natureza na paisagem. O que o artista quer com a imagem da grande queda d’água é capitalizar para o trabalho as qualidades físicas do site, realocar as contingências do contexto no significado interno do objeto artístico, e, para isso apela a um modelo de percepção de ordem fenomenológica. “Por esta janela me dou conta da paisagem” diz Cauquelin (2007: 136). A janela é o instrumento paisagístico por excelência, pois produz o encolhimento necessário para manter o desmesurado e a força eruptiva da natureza à distância (ibidem).


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