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:ESTÚDIO 8

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118 Costa, Clóvis Martins (2013) “As paisagens obscuras de Lizângela Torres: incursões noturnas como método.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 112-118.

tubos de ensaio, a imagem pode ser alterada pelo público através da inserção de misturas de água e pigmento preto por meio de pipetas utilizadas em laboratório. O vídeo se sobrepõe aos tubos de ensaio dispostos em forma de grade e distribuídos em série regular, ordenando linhas verticais e horizontais. A área de projeção equivale à área formada pelos 340 tubos de ensaio. Cada tubo, de 10 cm de altura por 10mm de diâmetro, comporta-se como um receptáculo da noite, com a função de provocar o desaparecimento da imagem a medida em que o líquido preto se alastra diante da projeção. A paisagem transfigurada nesta obra é proposta como campo experimental, aberto à participação do outro, agente imprescindível para a concreção da obra. Noite afora As paisagens aqui experimentadas ativam as noções pelas quais o trabalho da artista/pesquisadora se orienta nesta noite densa. Por meio da delimitação de conceitos e enunciados, Lizângela cria espécies de fontes luminosas, como o farol do carro que ilumina a estrada ou o seu próprio corpo nas incursões noturnas. As palavras, aos rasgarem o breu, projetam sobre as zonas de indeterminação trilhas possíveis para o acesso à noite, e porque não falar de uma noite-outro, o sujeito adiante do qual se projeta uma existência. Sair à noite pode ser entendido, desta forma, como o exercício da alteridade: sair de si para adentrar o ocaso da experiência.

Referências Didi-Huberman, Georges (1998). O que vemos, o que nos olha. Rio de Janeiro: Ed. 34. ISBN: 85-7326-113-7

Flusser, Vilém (2011). Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Annablume. ISBN: 978-85-391-0210-5


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