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:ESTÚDIO 8

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humana, onde a noite (e porque não dizer, a natureza) consistia em um espaço a ser vencido, repleto de perigos e devires, espaço povoado pelas sombras. Sua obra, portanto, advém de um impulso volitivo rumo ao desconhecido, à desrazão que envolve a grande noite, cosmos onde a consciência se evade. Lizângela aciona seu corpo através de incursões noturnas para a captura desta ação por meio da fotografia. O meio empregado se coaduna com o conceito operacional, noite, uma vez que a substância noturna é aquela que compõe a caixa preta, lugar do aparelho fotográfico que “deve ser impenetrável para o fotógrafo, em sua totalidade” (Flusser, 2011: 43). Neste mistério da aparição/desaparição da imagem no ambiente escuro, reside o escopo de suas investigações, como se o operador adentrasse a câmara-noite no enlevo de decifrar seu mistério, ou ao menos se lançar em sua direção. Como simulacro da noite, a fotografia é experienciada pelo outro através de projeções de imagens, caixas de backlight, textos ou objetos, todos instalados em espaços escuros (Figura 2). O sujeito que participa da noite transfigurada no momento da fruição, completa a experiência artística, deflagrada na paisagem e transportada ao espaço de montagem.

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8): 112-118.

Figura 1 ∙ Lizângela Torres. Da série Incursões Noturnas II. Fotografia (2008/2010). Figura 2 ∙ Lizângela Torres. Registro da exposição Ocaso (Espaço Plataforma — Porto Alegre/RS) Fotografia. 2008/2010. Fonte: Fábio Del Re


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