26 Matos Pereira, Teresa (2012) “O Cahier de Linoléum, de Viteix. História, ideologia e pesquisa plástica.”
Figura 8 ∙ Viteix, Danse Batuki, linogravura, 1974.
Figura 9 ∙ Viteix, Personage avec un animal, linogravura, 1984.
processos criativos que culminarão em pinturas de maiores dimensões realizadas nas técnicas da aguarela ou do óleo. Nestas, destacam-se a sobreposição de figuras (animais e humanas) apontamentos de paisagem, signos abstratos que ganham autonomia do espaço compositivo parecendo por vezes flutuar no vazio. À fluidez e linearismo de algumas destas representações, associam-se os frisos de motivos geométricos e simbólicos que enquadram o plano da imagem e que se assume como uma estratégia compositiva, transversal a grande parte da obra pictórica de Viteix a partir da década de setenta. Estes motivos, retirados do vasto universo das expressões plásticas “tradicionais” e vestígios arqueológicos (cabaças, máscaras, estatuária, gravura rupestre, pinturas murais, etc…) assumem, neste caso, o perfil de uma caligrafia, conceptualmente situada numa relação entre visível e invisível, memória, imagem e palavra que possibilita a articular tradição e modernidade, diversidade e unidade cultural, passado e presente. Nota final
O Cahier de Linóleum de Viteix, para lá do papel que assume enquanto elemento de síntese de um percurso realizado pelo autor — situado entre o final da década de sessenta e a década de oitenta do século XX — no âmbito da