252
parecidas, as páginas são diferentes, pois um dia não é igual ao outro. Não existe hierarquia entre as páginas —
Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252.
sem um centro convencional, ou ponto de clímax, a obra é análoga a uma sequência fílmica estruturalista ou uma partitura de música serial, em que nenhum elemento pode ser retirado ou ser privilegiado em relação aos outros (Alberro, 2003: 140).
A sequência de páginas introduz a dimensão temporal, que a página isolada não tem, e que a simples enumeração dos dias da semana não consegue recuperar. Conclusão
Quando o catálogo apresenta uma proposição, estamos diante de uma obra nova, que amplia o sentido das obras em exposição, podendo em alguns casos se configurar como uma tradução para o meio impresso das obras tal como foram apresentadas no espaço expositivo. Tal prática modifica o papel e o lugar do espectador diante da obra, propondo, na melhor das hipóteses, um esquema de recepção estética horizontal — o espectador experimenta a obra, vê e participa — e não vertical — o espectador contempla a obra que exerce sua autoridade sobre ele (Dupeyrat, 2010: 4).
A publicação abre uma temporalidade nova, permite que a exposição tenha uma duração maior. Em formato portátil, ela pode ser visitada mais vezes, em qualquer dia da semana, em qualquer horário. Assim aproveitamos mais o tempo que temos com as obras.
Referências Andreato, Laura Huzak; Batista, Ana Elisa Dias; Loureiro, João (2008) Revista. São Paulo: edição dos autores. [Consult. 20120715] Catálogo. Disponível em <URL: http://vistosa.wordpress.com/> Dupeyrat, Jerome (2010) “Pratiques d’exposition alternatives : pratiques alternatives à l’exposition”, in 2.0.1: Revue de recherche sur l’art du XIX° au XXI° siècle, février 2010. [Consult. 20110820] Artigo. Disponível em <URL: http://www.revue-2-0-1.net/index.php?/ revuesdartistes/revues-dartistes/ > Contactar o autor: amir_brito@yahoo.com.br
Fabris, Annateresa; Costa, Cacilda Teixeira da (1985) Tendências do Livro de Artista no Brasil. São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Lippard, Lucy (1987) “The artist’s book goes public” in Lyons, Joan (Org.). Artists’ books: a critical anthology and sourcebook. Rochester: Gibbs M. Smith. Moeglin-Delcroix, Anne (2006) “Du catalogue comme oeuvre d’art et inversement”, in Sur le livre d’artiste. Articles et écrits de circonstance (1981-2005), Marseille: Le mot et le reste, p. 207-212.