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:ESTÚDIO 6

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uma transição sutil entre a apropriação de soluções e materiais usuais às vitrines comerciais e as operações de representação que orientam grande parte dos trabalhos da exposição (Andreato, Batista e Loureiro: 2008).

Laura Huzak Andreato, na seção “a cores”, apresenta diagramas em preto e branco: a seção começa com uma página com nove desenhos a traço de elementos presentes na mostra. Como nos cadernos para colorir, os desenhos têm apenas a linha de contorno. Na página seguinte, em referência à vitrine “Preciosa”, de João Loureiro, são mostradas nove figuras geométricas idênticas, representando pedras preciosas, com legendas diferentes para cada uma, como indicação de cores que devem ser usadas no preenchimento. Como exemplo, a pedra ônix está pintada de preto. Na página ao lado, são silhuetas de pássaros que fazem a proposta, e o pássaro preto é mostrado como exemplo. Na outra página, uma coluna mostra três desenhos para colorir e a outra coluna mostra as nuances de cor correspondentes: a flor é rosa, o boto é cor-de-rosa e o flamingo é rosado. Na página ao lado, são agrupados três animais em preto e branco: a orca, o urso panda e o pinguim. Uma página dupla mostra o contorno de uma montanha ou de um iceberg (Figura 2), e convida a pensar nas cores deste elemento natural, reflexão provocada pela ausência de palavras para orientar nossa percepção das cores. Depois dos animais, os meios de transporte: vermelho Ferrari e Amarelo trator; azul celeste (um zepelim), azul marinho (um navio) e azul profundo (um submarino). Utilizando as analogias, a artista mostra as relações entre as formas e cores, entre as cores e os seus nomes. Em associação direta com este último grupo, uma página dupla apresenta o esquema de uma batalha naval (encouraçado, cruzador, destroyer, submarino, hidroavião), mas os quadrados não estão numerados, o que torna o jogo impossível. João Loureiro apresenta “doze dias de chuva”, uma sequência de doze páginas praticamente idênticas (Figura 3), preenchidas por segmentos de linha em diagonal, representando a chuva, e um texto no canto inferior direito, informando, de forma abreviada, o dia da semana correspondente. Apesar de muito

251 Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252.

quatro blocos de texto ou quatro parágrafos e um título formado por uma linha de círculos separada do texto por um espaço maior do que o espaço existente entre os “parágrafos”; a sequência continua com os círculos removidos, até que na quarta página os círculos se acumulam na linha de base, como se tivessem caído da página, chamando a atenção para a materialidade da escrita (Figura 1). Os círculos fazem referência ao trabalho 1, 2, 3, de Ana Luiza Dias Batista, presente na exposição. A obra, composta por três caixas de tamanhos diferentes e contíguas, revestidas de chapas de eucatex branco perfurado, propõe


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