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250 Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.”

uma metáfora, o livro se transforma literalmente em espaço físico, substituindo o espaço da galeria de arte. Um livro ou catálogo não é mais a reprodução de obras de um artista, mas uma obra produzida especificamente para ser reproduzida. “É dentro deste espírito de adequação da forma à idéia, da concepção da solução gráfica como relação intrínseca entre ‘forma’ e ‘conteúdo’, processo deflagrado pelo exemplo de Wesley Duke Lee, que os artistas da Escola Brasil produzem os primeiros catálogos conceituais entre nós” (Fabris e Costa, 1985: 7). Uma abordagem diferente tiveram os artistas Ana Luiza Dias Batista, Laura Huzak e João Loureiro, ao produzir o catálogo da exposição “Vistosa”, concebida para uma situação específica escolhida: um pequeno galpão, originalmente industrial, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Pensando numa extensão da exposição e suporte para um novo trabalho artístico, os três artistas elaboraram uma publicação intitulada “Revista”. Trata-se de um folheto de 48 páginas em formato A4, editado em papel off-set, e distribuído gratuitamente aos visitantes da mostra e a mais de 200 bibliotecas públicas em todo o Brasil. Nele, estão trabalhos originais dos três artistas, concebidos a partir da experiência conjunta na realização da exposição “Vistosa”. Assim como todas as obras foram concebidas para um determinado espaço, considerando os dispositivos de exibição e revelando a estrutura subjacente à exposição, algumas proposições foram pensadas para a publicação, considerando suas características específicas. Apenas na condição em que a distinção entre a obra e sua documentação não possa ser válida, o catálogo como publicação pode se transformar em um modo de exposição da obra que é obra ele mesmo. Resumindo, é portanto uma abordagem da edição como suporte de apresentação da obra que permite considerá-la como um modo de exposição (Dupeyrat, 2010: 4).

A função de exposição do livro de artista “não supõe um espaço expositivo temporalmente e espacialmente situado, mas se caracteriza, por outro lado, como um hors-site atualizando um novo espaço-tempo para cada leitor, ou mais exatamente, a cada leitura” (Dupeyrat, 2010: 4). Cada artista ficou com uma seção da revista: a seção de Ana Luiza Dias Batista chama a atenção pelo uso de uma imagem no lugar do título, uma sequência de círculos que supostamente substituem as letras de uma palavra. A primeira página é totalmente ocupada por círculos idênticos dispostos em intervalos regulares, com o mesmo espaço de cada lado; na página seguinte, os círculos estão na mesma posição, mas foram removidos alguns círculos de colunas e fileiras próximas da borda, produzindo uma margem branca e uma mancha gráfica; com a remoção de algumas fileiras de círculos, a página ganha a aparência de


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