236 Gamito, Maria João (2012) “Pedro Saraiva: vidas de papel: O artista como significante.”
Figura 1 ∙ Pedro Saraiva (2009), Manuel Linares. Fotografia do autor.
Figura 2 ∙ Pedro Saraiva (2009), António Maria Codina. Fotografia do autor.
nos pequenos gestos de uma imensa trama de tinta preta sobre papel vegetal. António Maria Codina (Figura 2) nasce no concelho de Mafra no dia 30 de Julho de 1896. Conclui os estudos na Escola Normal Superior de Lisboa, vindo a trabalhar como desenhador no Jardim Museu Agrícola Tropical. Devido a uma grave depressão é internado em 1923 no Hospital de Rilhafoles onde contacta com o poeta Ângelo de Lima. Em 1930 desloca-se a Cabo Verde onde acumula a profissão de topógrafo com a de desenhador de Botânica. Em 1938 viaja para S. Tomé para desenhar a flora endémica da ilha, participando cumulativamente em diversos levantamentos topográficos. Em 1948 conhece o arquiteto Manuel Linares com quem vem a trabalhar. Morre, vítima de paludismo, com 58 anos de idade. Do seu espólio constam fotografias pessoais e de trabalho, muitas páginas compactas de anotações em torno dos conceitos de atlas, inventário, gabinete, espécies botânicas, expedições, genealogias (talvez a sua), sistematicamente interrompidas por pequenos apontamentos gráficos — retículas, colagens e linhas cosidas como diagramas — e desenhos de grandes dimensões, modelados em tramas de tinta preta sobre papel, que se montam como um gigantesco puzzle sempre diferente. Manoel Celestino Alves (Figura 3), mais conhecido por Dr. Cambedo, o nome da aldeia onde nasceu no dia 20 de Setembro de 1912, licencia-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, onde vem a leccionar no ano lectivo de 1939/1940. Em 1943 é cirurgião anatomista no Hospital de S. José em Lisboa. Em 1945 é preso pela PIDE e condenado a 18 meses de prisão na cadeia do Aljube em Lisboa. Em 1947 parte para S. Tomé onde, em 1948, abre