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:ESTÚDIO 6

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e a totalidade, somente a partir destas. Esta concordância é o pressuposto que difere obra orgânica e não orgânica. O autor afirma que aí há uma ‘emancipação’ das partes em relação ao sentido do todo. O artista clássico respeita e manipula o material como algo vivo — já para o vanguardista, o material é apenas material. As lâminas que compõem o livro de artista de Merij, assim como demais obras da exposição foram concebidas como material arrebatado da totalidade da vida, isolado e fragmentado. Ele reúne fragmentos com a intenção de lhes atribuir sentido, ou novos sentidos. Reside aí a importância de seu — olhar colecionador — somente através destas lentes visuais perceptivas do artista é que se torna possível verificar, selecionar, associar, criar e transportar aos materiais novas redes de significados. O olhar colecionador funciona como filtro identificador de possibilidades para novas atribuições de conteúdos semióticos aos signos. Cada página solta emancipa-se do todo, torna-se uma montagem livre, unidade provocadora de questionamento aberto às outras conexões de sentido. Surge a questão: olhamos as páginas, ou somos olhados por elas?

Referências Burguër, Peter (2008) Teoria da vanguarda. São Paulo: Cosac Naify. Foucault, Michel (2002) As palavras e as coisas. São Paulo: Martins Fontes. Contactar a autora: claudiamatosp@hotmail.com

Halbwachs, Maurice (2004) A memória coletiva. São Paulo: Ed. Centauro. Silveira, Paulo (2008) A página violada: da ternura à injúria na construção do livro de artista. Porto Alegre: Editora da UFRGS.

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 229-233.

Figuras 6 e 7 ∙ À esquerda: Série Venetas II-b, 20 × 16 cm. À direita: Série Venetas II-c, 20 × 16 cm. As três lâminas, em técnica mista, pertencem á coleção do artista, (2012). Fonte: <URL: http://www.ufjf.br/mamm/2012/04/12/del-clasicogusto-espanol/>. Fotos de Alexandre Dornelas.


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