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:ESTÚDIO 6

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Pereira, Cláudia Matos (2012) “Livro de artista: o olhar colecionador no universo de Frederico Merij.”

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1. Introdução — o artista

Frederico Merij, nascido na cidade de Recreio, Minas Gerais, a 19 de setembro de 1951, dedica a sua vida às artes plásticas. Participação em exposições de destaque marcam sua trajetória: a mostra individual ‘Marat’- no Espaço Cultural Bernardo Mascarenhas, Juiz de Fora, ano de 2000; as coletivas ‘Latinas’- Mercado de arte Mercoarte, Mar del Plata, Argentina, 1999 e “Muestra abierta internacional de arte — 500 años de represión,” Buenos Aires, Argentina, 1992. 1.1. A exposição — Del clássico gusto español

Mostra individual realizada na Galeria Poliedro do MAMM, 2012, revela o raciocínio estético do artista que segue o percurso: pintura — objeto — livro. Parte da re-elaboração de uma obra orgânica da pintura de Velázquez e transpõe elementos pictóricos, táteis e visuais para novos contextos, reorganizados de forma tal que percepção e memória são acrescidas por objetos achados e reconfigurados. Há ênfase na pesquisa de detalhes, que somados a outros formam um conjunto onde nada se subordina a nada e onde todos os fatos mantém a mesma importância (Halbwachs, 2004:89). Merij não é um historiador, mas seu processo artístico engloba a pesquisa, o olhar colecionador e analítico. Ao revisitar obras arte, interfere e transpõe o espaço-temporal. Assim, trabalha com vestígios do passado por meio de elementos e objetos que coleciona ao longo do tempo. Uma visão lúdica de caráter pop apresenta-se na conjugação entre passado e futuro, na tentativa de se esgotar possibilidades de uma mesma imagem. 1.2. O ideário do artista

A inspiração para o tema — gosto — gustus, palavra latina, traz à lembrança as palavras saber e sabor, de mesma etimologia, que se mesclam ao conhecimento. Para Merij, desconstrução significa desmontagem, decomposição e recriação dos elementos da linguagem plástica. Sua proposta reformula partes do texto visual que é a obra de Velázquez. Telas como ‘As Meninas’ e ‘O Infante Felipe Próspero’ povoam seu imaginário. Explora diferentes técnicas ao deslocar ‘Infantas e Infantes’ para contextos atemporais. Infanta, cujo significado é — princesa que, mesmo filha do rei, não herda a coroa — assim infante, do latim in ‘não,’ mais fari ‘falar,’ desprovido de poder e de voz, trazem novas possibilidades de interpretação. A dimensão reflexiva de Foucault (2002: 3-20) inspira o universo de criação de Merij na expressão da duplicidade de imagens da princesa Margherita, na configuração de um espelho subliminar, não físico; experimento aberto ao olhar. As revisitações conferem às imagens e objetos redes de novos


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