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Figura 4 ∙ Viteix, Dans la Guerre, linogravura,1974.
vezes esse sistema de reprodução gráfica para divulgarmos as nossas ideias, o que contribuiu também para popularizar a xilogravura no nosso país” (Teixeira, 1988). É neste contexto que poderemos incluir muitas das gravuras que integram o Cahier, com especial destaque para «4 Février», «Dans la Guerre», «L’Abattu», «La Chute d’u Camarade», «Guerrillero», «Adam&Eve ou personnages masculin&féminin avec un fusil», ou « Dans la Paix» entre outras. A gravura intitulada «4 Février, 1961» (figura 3), evoca os acontecimentos ocorridos nesse dia quando um grupo de independentistas angolanos lança um ataque à Casa da Reclusão Militar (a cadeia da PIDE em Luanda), uma esquadra da PSP e a Emissora Oficial de Angola, e que, embora redundado num esforço fracassado de libertar os prisioneiros políticos, acabaria por assumir um simbolismo crucial no despontar das lutas armadas pela Libertação Nacional de Angola, da Guiné-Bissau, de Moçambique. Na gravura de Viteix, o amontoado de figuras caídas, e as armas rudimentares (catanas e canhangulos) aludem não só ao episódio histórico concreto mas pronunciam acima de tudo as adversidades dos anos de guerra que se seguiriam. Por outro lado, a sua colocação no início da série de 22 gravuras que compõem o Cahier de Linóleum, confere-lhe, de certo modo, um simbolismo seminal, reforçado por uma outra gravura intitulada «Adam&Eve ou personnages masculin&féminin avec un fusil», datada de 1968, onde o casal primordial se faz acompanhar de uma espingarda. A evocação da luta armada como forma de libertação e da criação de um “homem novo” forjado no combate — de que
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 20-27.
Figura 3 ∙ Viteix, 4 Février, 1961. Linogravura, 1981-1982.