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:ESTÚDIO 6

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enquanto artista, onde a investigação e aprofundamento plástico dos valores estético-simbólicos do património cultural angolano, é assumida como força motriz para a criação de uma poética individual que, reclamando as raízes identitárias africanas, não esquece a dimensão universal da arte. Viteix irá desenvolver uma gramática visual e plástica dominada antes de tudo, pela presença e poder do desenho, onde a linha fluida define corpos e formas em movimento ao mesmo tempo que assume a capacidade de criar uma caligrafia cada vez mais individualizada. A sobreposição de figuras humanas, animais e símbolos num espaço imaterial, começa a evidenciar-se na década de 70 em algumas obras de desenho, pintura e gravura de que se destaca a edição de autor do Cahier de Linoléum (figuras 1e 2) sobre o qual se debruçará especificamente este artigo. Neste caderno, editado em Paris no ano de 1984 (após terminar na Universidade Paris VIII um doutoramento em Estética intitulado Pratique et Théorie des Arts Plastiques Angolais (de la Traditions a une Nouvelle Expression), Viteix reúne um conjunto de gravuras realizadas em linóleo onde se destaca a evocação de acontecimentos que marcaram a luta pela independência do seu país ou de imagens que integram, na sua génese, as marcas identitárias de uma vivencialidade culturalmente enraizada. Este artigo visa assim realizar uma abordagem ao Cahier de Linoléum, considerando não só as dimensões plásticas e técnicas inerentes à gravura, mas igualmente a articulação entre a imagética explorada pelo pintor e as questões acerca da identidade cultural, história e ideologia, levantadas nos textos escritos que integram o caderno.

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 20-27.

Figuras 1 e 2 ∙ Cahier de Linoléum, de Viteix (capa e nota introdutória do autor).


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