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consensual. Está representado nas mais importantes colecções portuguesas e recebeu alguns dos mais destacados prémios do nosso país. Fez crítica de arte, foi autor de muitos dos textos que acompanharam as suas exposições. O tom mordaz e, por vezes, autodepreciativo que apresenta nos seus textos e entrevistas tem sido uma imagem de marca. No texto de apresentação da exposição que o Centro de Arte Manuel de Brito lhe dedicou em 2009, há uma frase da sua autoria que julgamos poder servir como exemplo da sua postura: “fiz sempre o possível por agradar, por fazer o que julgo importante para pertencer ao meio, por ser aceite e integrado. Parece-me um bocadinho injusto, e desde há tanto tempo, ser o único mau artista do meu país.” O artigo
Propomos uma reflexão sobre dois pontos menos comentados da obra de Eduardo Batarda: dois livros produzidos pelo pintor, bastante diferentes entre si mas unidos pela proposta de qualquer um dos dois poder ser entendido enquanto Livro de Artista; e dois títulos que o artista atribuiu a outras tantas pinturas datadas de 2009 e dos quais ressalta a relação crítica entre a imagem e a palavra que, desde sempre, tem pontuado a obra deste artista. Pretendemos, desta forma, abordar o tema do Livro de Artista na obra de Eduardo Batarda, cuja produção mais divulgada junto do grande público consiste na pintura — seja ela de telas que se encaixam no cada vez mais escorregadio conceito de abstracção, seja de aguarelas de cariz mais figurativo (figura 1).
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 162-168.
Figura 1 ∙ Eduardo Batarda, Eat That Chicken, 1973. Tinta-da-china e aguarela sobre papel. Col. MACS, Porto.