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99 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 98-99.
simplista, e para quem se quer afirmar como solução dos problemas correntes. O artista e a arte resistem. Resistem e mostram-nos coisas que muito provavelmente nunca veríamos. Mostram-nos no um para um - através do artista que olha para a obra de outro artista - os lugares, os cheiros, os eventos que nada têm de matemático ou de mensurável. Através destes olhares aproximamo-nos das subjetividades de Helga Gamboa, Christian Bendayan, Edward Venero, Raid das Moças, e Roberta Carvalho, que versam coisas tão distintas como a selva Amazónica vista do Brasil e do Perú, a mulher Africana e a guerra, transexuais, gays, heróis, e entre muitas outras coisas o poder colonial. A importância destes textos advém do facto que nos mostram a subjetividade do outro em toda a sua complexidade, tornam-no em algo visível, algo que ocupa o espaço público, que constitui o coletivo a que chamamos sociedade. O coletivo não fala a uma só voz e resiste ao consenso absoluto, muitas vezes imposto de cima. Fala sim a várias vozes, canta em vários tons, cada um com harmonia própria. O grupo não anula os sujeitos em virtude de um valor mais alto, mas investe no sujeito como lugar complicado, de agonismo, de crise e de drama, onde se sedimentam histórias. Os autores deste conjunto de ensaios falam-nos em vários tons, de outros autores que por sua vez nos remetem para um outro. Um outro que no ponto de vista Anglo-saxónico seria Orientalista, mas que deste ponto de vista Ibérico é Tropical ou Amazónico. Aproximam-nos dele e fazem-nos sentir o seu calor. A sua presença é tão forte que logo nos apercebemos que o outro do outro, afinal somos nós.