84 Barros, Ynaiá de Paula Souza (2012) “Habitar o lugar/espaço do ateliê como procedimento para a construção da obra: o desenho do espaço na xilogravura de Fabrício Lopez.”
Figura 3 – Fabrício Lopez, xilogravura. Exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2009. Foto do artista.
Figura 4 – Fabrício Lopez, xilogravura. Exposição Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2009. Foto do artista.
beleza. Habitar este lugar parece significar preenche-lo destes sonhos, vivências e referencias, ou melhor, ocupá-lo pela ação que garante a preservação deste sonho na imagem. 2. A paisagem: o espaço, invólucro de nossos humores e ações cotidianas
Em seu A invenção da paisagem, Anne Cauquelin faz uma reflexão a respeito do lugar das construções culturais da paisagem nas nossas experiências formadoras, no nosso aprendizado da realidade. Em um movimento de compreender suas próprias referências culturais de organização de uma imagem da paisagem e assim questionar a “veracidade” desta em relação as suas vivências visuais ela fala da potência dos aprendizados que nascem das nossas relações com o espaço a que organizamos, hierarquizamos e denominamos paisagem. A paisagem parece traduzir para nós uma relação estreita e privilegiada com o mundo, representa como que uma harmonia preestabelecida, inquestionável, impossível de criticar sem se cometer sacrilégio. Onde estariam, pois, sem ela, nossos aprendizados das proporções do mundo e o de nossos próprios limites, pequenez e grandeza, a compreensão das coisas e a de nossos sentimentos? Intermediário obrigatório de uma conversação infinita, veículo de emoções cotidianas, invólucro de nossos humores (Cauquelin, 2007: 28).
Esta constatação, junto a compreensão de que nosso olhar para a paisagem esta carregado também das referencias deixadas por nossos ancestrais de suas observações da paisagem, trazem mais alguns elementos para olharmos