Referências Jung, Carl Gustav (2009). Las relaciones entre el yo y el inconsciente. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica.
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61 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 55-61.
identidade considerando que existem muitas outras para fora do sujeito. Tudo isto contextualiza-se num percurso de reposição/recriação/renovação de riscos, que impelem o autor à descoberta do ainda desconhecido. A descoberta gera uma emoção que nos conduz a outra descoberta. O que só é possível numa constante revisão dos alicerces, socorrendo-se sempre de um comportamento homeostático. O desenho, como a criação em geral, coloca-nos numa situação de iminente descoberta. Esse confronto provocado pelo primeiro risco que se faz num suporte é a origem da necessidade se descobrir algo até então desconhecido. A particularidade do desenho é que cada gesto é o início/desafio para uma descoberta. Mas este fenómeno acontece na sucessão de gerações de Desenhos, o que é muito visível no Desenho de Jaime Silva. Não se sabe se o objectivo é macular ou, pelo contrário, expurgar o maculado, purificando a mente, de uma forma catártica. Não se sabe, nem é necessário saber, porque, no que concerne ao desenho, o saber é uma faceta que se reduz ao fazer-se comunicar (muito mais do que o saber fazer); se esse acto resulta no processo de catarse ou não, só se verifica na medida em que o Autor, com a fé nesse meio de expressão, mantenha a necessidade de o usar para se comunicar (entendendo aqui a comunicação como meio de veicular o pensamento inerentemente sentido). A permanência deste modo de expressão deve-se ao instinto correspondente ao coeficiente que existe entre a exteriorização de uma vontade (de criar) e a criação (de uma vontade); é, na verdade, o querer saber-se, como se se quisesse conhecer a que sabe o próprio eu, isto é, se o sentimento é nosso ou é, na realidade, aquela projecção que fazemos no Outro. Mais uma vez: a inexorável existência da inter-/intra-comunicação.