60 Rodrigues, Luís Filipe Salgado Pereira (2012) “O Desenho como iluminação do sentimento e a sombra como eliminação da persona, num processo de individuação (do Desenho) de Jaime Silva.”
Figura 5 – Jaime Silva, desenho formato A5, datado de Fevereiro de 2008. Caderno de sombras nº.4, tinta gráfica sobre papel.
opostos: branco/ausência do branco. Presume-se que na elaboração do Desenho tenha havido uma luta entre o negar e o afirmar, entre o dar a visibilidade/iluminar e o de, consequentemente, lha retirar/eliminar. Aqui, apenas se vislumbra algo que se quer dizer mas que não interessa literalmente fazê-lo; talvez seja importante, apenas, mostrar que existe a intenção de o fazer: o que se consubstancia numa energia da ação criativa: a dialética iluminar-eliminar. É o processo de canalização dessa energia que interessa ao autor e que é propulsionada pela vontade de poder “dizer”, ou melhor, pensar o sentimento, numa palavra, tomar consciência dele, transmitindo a prova de que existe. Desenhos são formas. O que as gera é memórias carregadas de emoção e afectos (que são formas de energia restauradoras da vida). Mas o que é transmitido pelas formas não é as memórias e os afectos do autor, é a provocação do cogitar do observador das memórias que pertencem ao seu próprio ser autobiográfico e à respectiva forma de pensar e ver o Mundo. O conteúdo, a mensagem e a intenção não passam da projecção do que decorre na própria mente de observadores; é, de facto, um acto subjectivo, que neste terreno de análise é evocado para explicar que tudo o que o Outro profira sobre os desenhos do Autor não é senão a projecção do eu e que podem eventualmente coincidir com a realidade do Autor; isto, na medida em que os sentimentos são universais. A forma como associamos os sentimentos às realidades depende da história de cada um. Todo este processo é fundamental para gerar a comunicação (e uma intersubjectividade) que nos permite assumir uma