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:ESTÚDIO 5

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58 Rodrigues, Luís Filipe Salgado Pereira (2012) “O Desenho como iluminação do sentimento e a sombra como eliminação da persona, num processo de individuação (do Desenho) de Jaime Silva.”

Figura 3 – Jaime Silva, desenho formato A4, datado de Novembro de 2008. Caderno de sombras nº. 0, tinta gráfica sobre papel.

a sombra e a persona em locais confinantes, mas de seguir o seu percurso de individuação (sem que a persona se oponha à sombra), onde tudo se concilia: onde a luz e a ausência da mesma realidade existem originariamente com papéis igualmente construtores. Coloca-se, neste momento, um paradoxo que merece a nossa atenção: o desenho, como pensamento, ilumina e elimina o sentimento, uma vez que a sombra é ao mesmo tempo a prova da existência de um conteúdo e eliminação do mesmo; pois é, respectivamente, o indício dos conteúdos interiorizados pelo autor e a revelação de que existe uma realidade de cuja existência apenas conhecemos a sombra, dada a nossa incapacidade de nos arredarmos desta e de nos aproximarmos da realidade. À primeira vista, parece prevalecer a eliminação da iluminação, em que a sombra, a matéria (que são os sentimentos, cuja prova não pode ser o branco do suporte, mas sim a marca que lá se deixe, o negro) que ocupa/macula a luz/ imaculada, é mais importante do que o espaço que é ocupado (o desocupado


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