430 Neto, Ricardo Mari (2012) “Marina Abramović, dimensões da culpa: do corpo da vida sacra.” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 430-436.
Marina Abramović, dimensões da culpa: do corpo da vida sacra RICARDO MARI NETO
Brasil, artista visual. Bacharelado em Artes Visuais, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Bacharelado em Direito, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Artigo completo submetido em 19 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.
Resumo: Marina Abramović, no ano de 1974,
apresenta Rhythm 0, performance em que se encontra sujeita a toda espécie de violência. Este artigo tem por objetivo investigar as dimensões de um corpo presumido culpado e, para tanto, recorre-se ao conceito agambeniano de homo sacer - figura do direito romano arcaico portadora da vida nua, vida sacra -, cuja particularidade deve-se a um duplo cárater: insacrificável e, porém, matável. Palavras chave: corpo, performance, devir, vida nua.
Title: Marina Abramović, dimensions of guilt:
The body of the sacred life Abstract: Marina Abramović, in 1974, presents Rhythm 0, performance in that is subjects all violence types. This article has for objective to investigate the dimensions of a body presumed guilty and, for so much, refers to the concept of homo sacer of Agamben - figure of the right archaic roman bearer of the nude life, sacred life - whose particularity is due to a double character: cannot be sacrificed yet may, nevertheless, be killed. Keywords: body, performance, becoming, bare life.
A artista performática Marina Abramović (Belgrado, 30 de novembro de 1946), entre os anos de 1973 e 1974, desenvolveria uma série de performances entitulada Rhythms, composta por Rhythm 10, Rhythm 5, Rhythm 2, Rhythm 4 e Rhythm 0, respectivamente. O trabalho sobre o qual este artigo se concentra é o último da série, Rhythm 0 (Figuras 1, 2, 3 e 4), realizado em Nápoles, em 1974, único dentre os cinco em que a artista permite a intervenção ativa do público. Abramović o descreveria como uma ‘investigação sobre o corpo quando consciente e inconsciente’ (Abramović apud Ward, 2010: 134). A performance busca representar a continuidade entre consciência e inconsciência através de