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:ESTÚDIO 5

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40 Gordeeff, Eliane Muniz (2012) “Um Metaespetáculo: o corpo em A Pesar de Todo.”

Figura 3 – Walter Tournier, fotograma de A Pesar de Todo (2003). O personagem em desespero. Fonte: Tournier Animaciones.

de entrar. Esta chama a atenção do personagem. Mostra-se o ambiente externo (Figura 2) – um campo de guerra, ao sons de explosões e de metralhadoras. Em zoom out, a câmera passa a focar o boneco desolado, ao som de um solo de piano. Mas ao olhar para frente, este assusta-se levando as mãos ao rosto, pendendo o corpo para trás em desespero (Figura 3). Há uma mão masculina, humana, inerte, com o braço coberto pelos escombros. Sua consternação é evidente – pela sua expressão facial e linguagem corporal. Cabisbaixo, senta-se sobre a mala e coloca a sua mão sobre a do animador, suspirando. Pega uma estrutura metálica (um boneco inacabado) que está sobre a mesa, largando-a em seguida e voltando à sua tristeza. Ao som do piano, Tournier encerra sua obra-protesto. 2. O metaespetáculo da corporalidade

O admirável desta obra é a delicadeza com que aborda um assunto tão violento, sem perder a dramaticidade – através da representação visual, da aplicação de códigos cinematográficos, e sem diálogos. Para tanto, o animador utiliza, pincipalmente, a imagem do corpus material dos objetos. Assim, os destroços, os objetos, as engrenagens são identificadas por suas significações primeiras – objetos diversos – mas também pela disposição, pelas sequencias das cenas, dos movimentos, dos sons, cria-se a narrativa. Como explica Vernet (Aumont, 2008: 93), as relações percebidas têm influência no imaginário, ‘de uma evolução ficcional organizada por uma instância narrativa.’ A cena do clímax não é apenas a morte do animador, mas é a história que não será contada, os sonhos e as esperanças – dele e do boneco – destruídos. E


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