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:ESTÚDIO 5

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Assim, Mabe Bethônico e o Colecionador lança o olhar sobre o que estamos criando como memória no dia-a-dia, mas propõe um movimento para além do simples olhar para as imagens que chegam a nós. Nos reapresenta esses recortes do cotidiano e nos permite vê-los como novos e criarmos, nós mesmos, novas vias de aproximação, novas histórias a que elas possam pertencer, sem deixar de ser um testemunho contundente do imaginário de onde elas emergem. Conclusão

Mabe Bethônico e o Colecionador é uma coleção dinâmica, que lança um olhar resignificador sobre as imagens que são geradas compulsivamente pelas mídias de comunicação. Cada espectador que entra em contato com o trabalho reaviva suas memórias pessoais, enquanto se relaciona e resignifica a coleção de imagens. Portanto, podemos dizer que essa coleção é investida de desejos de construção e de reconstrução de memória, e reverte o valor de uso das imagens para além da efemeridade do pronto-consumo, permitindo transformá-las em novos objetos de interesse e permitindo também que possamos fazer leituras mais ricas e pessoais.

Referências Campos, Elisa (2002) Mabe Bethônico. [Consult. 2012‑01‑18]. Disponível em http://www.ufmg.br/museumuseu/ colecionador/colecionador/news_002.html Chiarelli, Tadeu (2002) Catálogo da exposição Apropriações/Coleções. Porto Alegre: Santander Cultural. Cooke Lynne. On Kawara. [Consult. 2012‑01‑18]. Disponível em http://www. diacenter.org/exhibitions/introduction/86

Contatar o autor: raquelalberti@terra.com.br

Kabakov, Ilya (1989) The man who never threw anything away. In: Ilya Kabakov: Ten Characters. London: Institute of Contemporary Arts. ISBN: 9780905263472. Maffesoli, Michel (2001) O imaginário é uma realidade (entrevista). Porto Alegre: Revista FAMECOS nº 15. Perrone, Cláudia Maria & Engelman, Selda (2005) O colecionador de memórias. Porto Alegre: Revista Episteme, nº 20.

329 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 325-329.

Podemos estabelecer um olhar póstumo sobre o nosso presente e, assim, adivinhar o que está sendo criado todo o dia como memória afetiva e sensibilidade. A coleção e o colecionador constituem um jogo de concentração e dispersão de fragmentos-objetos, uma obra inacabada e inacabável, um labirinto com milhares de passagens que constituem as incursões criticas do colecionador (Perrone & Engelman, 2005).


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