328 Alberti, Raquel Sampaio (2012) “Mabe Bethônico e o Colecionador: o exercício de olhar e pensar através de imagens.”
Figura 3 – On Kawara, Date Paintings (em andamento desde os anos 1960).
Figura 4 – On Kawara, Date Paintings (em andamento desde os anos 1960).
ele quem determina a existência de determinados conjuntos de imagens. E ele é alimentado pela tecnologia, já que as imagens só existem através da técnica. Para Maffesoli, o criador (ou o artista) só é criador se ele consegue captar o que circula na sociedade. E as tecnologias de comunicação (como os jornais, por exemplo) auxiliam imensamente nesse processo, uma vez que o ‘imaginário, enquanto comunhão, é comunicação.’ E qual sentido de se colecionar imagens em um mundo onde cada vez mais elas têm um caráter efêmero (e tão abundante que beira a exaustão)? Em The man who never threw anything away (1989), Ilya Kabakov lança um olhar sobre essa questão, também através de um personagem, o homem que nunca jogou nada fora. Kabakov diz que privar-se desses ‘testemunhos’ seria privar-nos de nossa própria memória. Na memória, todas as coisas tem igual importância e as conexões entre os pontos relacionados a nossas recordações compreendem toda história de nossa vida. Se nos privássemos de todos os objetos que acionam essas memórias, seria como eliminar todo o passado e, num certo sentido, deixar de existir. Na série de trabalhos entitulada Date Paintings (Figuras 3 e 4), o artista japonês On Kawara pinta sobre telas de tamanhos pré-determinados a data do dia em que está executando a pintura. Ele segue algumas regras, e uma delas é que a tela precisa ser começada e finalizada no mesmo dia. Depois, é acondicionada em uma caixa de papelão feita à mão juntamente com um recorte de jornal do local onde Kawara estava naquele dia. As Date Paintings questionam sobre o tempo e o registro de sua passagem – e o recorte de jornal funciona como um documento, um testemunho do dia em que cada pintura foi executada. Além disso, nos oferece mais uma imagem representativa daquele momento. Cláudia Maria Perrone e Selda Engelman, no artigo “O Colecionador de memórias” (2005), afimam que