não correspondem, no entanto, à rigidez do trabalho do arquivista para quem o limite de variantes é necessário para racionalizar as opções de consulta, o Colecionador é mais flexível, movediço, tecendo suas tramas temáticas, permitindo-se voltar atrás para rever e reclassificar uma seqüência que, de repente, saltou-lhe aos olhos (Campos, 2002). Essas imagens, distanciadas de suas funções originárias, também fazem com que a coleção sejam a antítese do consumo. Ou seja, quando o Colecionador toma posse de uma imagem e a traz para coleção, ele também a desloca de sua condição de mera possessão e a coloca à disposição de uma nova rede de conexões e correspondências. A imagem é testemunha de seu uso para a comunicação massiva mas, fora de seu contexto e também compulsivamente acumulada, ela reencontra sua eficácia. Colecionar é guardar para poder em outro momento lançar um novo olhar sobre o que se guardou. E a medida que a coleção cresce, cada olhar é novo, e é modificado pelas novas relações que se pode fazer. Assim, através da apropriação e deslocamento dessas imagens, a coleção ajuda também a dar conta e explicitar como a proliferação de imagens veiculadas pelos meios de comunicação ilustram nosso imaginário contemporâneo. 2. Imaginário e memória
“Não é a imagem que produz o imaginário, mas o contrário” (Maffesoli, 2001). O imaginário é uma construção histórica de um grupo, país ou comunidade, e é
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possibilidade de permanente mutação, convida a refletir sobre a natureza do objeto de arte e seu comportamento dentro de uma instituição. Através do recurso da coleção, o obra escreve uma história alternativa para as imagens que a compõe e dialoga também com o papel que a instituição tem no registro histórico dentro do campo das artes. Segundo Walter Benjamin (2009), o ato de colecionar significa trazer para perto de si algo que tem um lugar e uma existência específica. Esse deslocamento que a coleção promove apaga as referências temporais e o contexto em que a imagem estava inscrita inicialmente. Dessa forma, cria novas associações na justaposição de imagens de diferentes origens e conteúdos. E essas novas possibilidades de leitura se dão em forma de teia, que se desdobra infinitamente, assim como se multiplicam as possibilidades de como explorar o conteúdo da coleção. O Colecionador é uma espécie de coletor compulsivo, como um sorvedor de imagens. Mas, conforme Elisa Campos (2002), as operações de observar, recortar, classificar e guardar, nesse caso,