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Town Hall-Main Hall, Melbourne, 2009; Park Avenue Armory, Nova York, 2011 e Bodas de Canaã no Refeitório de São Giorgio Maggiore, Veneza, 2009.
Cohen, Rosa (2012) “Nova Espacialidade Híbrida na Obra de Peter Greenaway: As Circunscrições Pictórico-Cinéticas das Instalações.”
A Articulação entre Linguagens
A conjugação entre pintura e cinema, constante na obra de Greenaway, mostra-se desde o seu fazer pictórico que tem, ao mesmo tempo, autonomia como linguagem e função de roteiro direcionado aos seus filmes. Em sua pintura Sixteen Reds (1990: 21, Figura1), por exemplo, observamos cada retângulo dimensionado e numerado, similar a um storyboard, prestes a ser ultrapassado por sua cor para expandir-se em seqüência. Suas composições pictóricas correspondem ao campo visual do cinema, assim como este tem seu motivo e argumentação primordiais na pintura de outros pintores como Jan Vermeer, Jacques Louis David, Diego Velázquez, Frans Hals, Dominique Ingres, Rembrandt van Rijn, entre outros, representados respectivamente nos longa-metragens Z00 um Z e dois Zeros, 1986; A Barriga do Arquiteto,1987; Afogando em Numeros, 1988; O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, 1989; Tulse Luper Suitcases, Parte 3, 2005; Ronda da Noite, 2007. Sua visão da pintura, dirigida e articulada ao cinema, levou-o, simultaneamente, a traduções das cores-pigmento da pintura às cores-luz do cinema, assim como a elaborações critico- ficticias das pinturas eleitas para as instalações. Mais importante do que a ficção é a investigação e a conseqüente tessitura critica constituída como metalinguagem e tornada outra vez, linguagem. No filme Z00 um Z e Dois Zeros, a personagem van Meegeren, médico falsário de nome homônimo ao do verdadeiro falsário das telas de Jan Vermeer no século XX, quer tornar os seus pacientes figuras pictóricas deste artista. Este desejo, além das traduções sintáticas entre linguagens, institui também um híbrido entre personagem fílmico e figura pictórica. Projeções primeiramente apresentadas sobre as pinturas originais, Ronda da Noite no Rijksmuseum , Amsterdam e Última Ceia em Santa Maria delle Grazie, Milão, depois sobre os fac-símiles, corporificações digitais de altíssima resolução produzidas pela empresa FACTUM-ART de Madrid, nas mesmas dimensões das originais, são suportes para sua análise critico- fictícia e para as construções híbridas projetadas que promovem as transmutações das situações temáticas de cada pintura, a partir de sua estrutura compositiva e das incidências luminosas. Essa produção cinética sobre imagens pictóricas fundamenta as passagens maneiristas para a constituição da sintaxe neobarroca. Exemplos dessas elaborações podem ser observadas em instalações já apresentadas sobre as pinturas A Ultima Ceia e Bodas de Canaã, ambas circunscritas no modelo clássico da perspectiva. Em A Última Ceia (Figura 2), Peter Greenaway concebe a luminosidade, nas