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Mais conhecido como cineasta do que pintor, Peter Greenaway iniciou-se como artista visual na linguagem da pintura ao formar-se pela Walthamstour School of Art, e, desde 1962, quando iniciou seu trabalho com o cinema, suas criações vem apresentando implicações cada vez mais complexas para promover a articulação entre as duas linguagens. Noções de enquadramento e luminosidade, pertinentes à pintura, comparecem constantemente em sua obra cinematográfica como fundamentos de composição e cor, já que elaborações para os seus campos visuais e foras- de- campo abertos à imaginação, revelam padrões da história da pintura em suas transmutações maneiristas, do clássico ao barroco e destes ao neobarroco, termo cunhado por Omar Calabrese (1988) para designar os paradigmas e a temporalidade sincrônica próprios da vida e da arte contemporâneas, que entendemos como suportes para as formalizações da obra de Greenaway. As instalações compreendem o seu novo projeto artistico, intitulado Nove Pinturas Clássicas Revisitadas, eleitas pelo artista no contexto da pintura ocidental, do Renascimento à arte moderna. São as pinturas, por ordem de apresentação, Ronda da Noite, de Rembrandt van Rijn; Ultima Ceia, de Leonardo da Vinci; Bodas de Canaã, de Paolo Veronese; As Meninas, de Diego Velázquez; Guernica, de Pablo Picasso; As Ninféias, de Claude Monet; Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, de Georges Seurat; Um: Numero 31, de Jackson Pollock e o Juizo Final, de Miguelangelo Buonarrotti. Até o momento, somente as três primeiras foram instaladas: Ronda da Noite no Rijksmuseum, Amsterdam, 2006; A Última Ceia em Santa Maria delle Grazzie e Palazzo Reale, Milão, 2008; Arts House,
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 298-303.
Figura 1 – Peter Greenaway, 1989, Sixteen Reds,Téc. mista s/ cartão, 81 x 107 cm.