278 Cirilo, Aparecido José (2012) “Seu Sami (2007): aspectos do processo de criação da obra de Hilal Sami Hilal.”
Figura 1 – Vista da instalação Seu Sami, de Hilal Sami Hilal. Imagem refletida nos espelhos, 2007.
Esta reflexão parte da obra de Hilal Sami Hilal. Hilal nasceu e trabalha em Vitória (ES). Estudou no Japão práticas milenares do papel artesanal. O artista transforma desenhos em rendilhados, bordados, arabescos e rocailles em elementos textuais: letras que se materializam em pasta de papel de algodão. Suas obras reafirmam o domínio sobre a matéria e a tecnologia, são um jogo matérico e cromático, universo de rugosidade gerando espaços vazios e que revelam uma formação cultural híbrida. Assim, a partir da gênese de Seu Sami - e de aspectos de suas montagens busca-se evidenciar como tendências e intencionalidades do projeto poético são afetadas na medida em que deixa de ser um site-specific e torna-se uma instalação comum (site). Analisam-se construções formais e o efeito de sentido da obra, principalmente seu diálogo com o espaço e sua tendência para o vazio e para a ausência, os quais são afetados após seu deslocamento do espaço gerador. 1. Seu Sami: o vazio e a incerteza na ausência
Seu Sami (1100m2) ocupou o galpão principal do Museu Vale, em Vitória, ES, em 2007. Revela uma tendência do projeto poético de Hilal Sami Hilal: a impregnação de memórias expressas em quase-grafias orientais em diálogo com o espaço. A obra resgata a história artística e pessoal de Hilal que observou que em sua trajetória existiam índices da ausência do pai, tema da exposição. Seu Sami