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:ESTÚDIO 5

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244 Maio, Fernanda (2012) “Intento.” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 244-246.

Intento FERNANDA MAIO Conselho Editorial

Quando analisamos a significação de uma obra no campo da arte, por onde começar? Pela intenção do/a autor/a? Estará ela patente na obra? Terá a obra um propósito acessível e distinto, o qual me colocará irremediavelmente perante um determinado espectro de significações possíveis? Ou terá ela entrado na condição de objecto sem sentido, fruto da convicção de que o Espectador (recém-nascido) e o todo-importante contexto da recepção fornecerão a devida significação, de contornos variáveis, que outrora coube somente ao autor? Qual o propósito da proposta? E, quando não do domínio dos sentidos, como ler os sinais codificados? Convocando outros textos e outras teias de significações às quais podemos, enquanto espectadores/receptores, associá-la criando novas possibilidades de sentido? Os autores cujos textos constituem esta secção tomaram diferentes rumos nas suas abordagens às significações reunidas pelas obras, ilustrando dessa forma a complexidade inerente ao acto interpretativo. Analisando a obra a partir das significações intimadas pela sua interacção com um espectador / utilizador, Ana Paula de Campos aborda as relações entre o corpo e a jóia na arte-joalheria - desenvolvida ao longo dos últimos 40 anos - através da análise da série Longing for the Body (2006), da artista brasileira Mirla Fernandes. Ao ser produzida no contexto da arte, a jóia almeja destacar-se como “veículo de expressão do sujeito e de seu tempo.” Nesta abordagem mais conceptual do objecto-jóia, o corpo é sobretudo suporte de um objecto que o intima e interroga, o que permite à autora do texto criar conexões entre esse campo e a concepção de ‘corpo sem órgãos’ (Deleuze e Guattari). A jóia permite então “desorganizar, escapar da ordem e abrir o corpo a outras conexões, agenciamentos e limiares inscritos numa espécie de protocolo de experiencias.” Alexandra Cabral situa a sua observação ao nível das dimensões sociais e legitimações pelas quais a obra de Joana Vasconcelos passa. Da obra artesanal à produção em massa, as esculturas de Vasconcelos criticam a sociedade que simultaneamente ilustram, conjugando as ideias de marca e autoria fundamentais para o circuito da arte contemporânea. Para Alexandra Cabral, a escultora


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