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:ESTÚDIO 5

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Um novo percurso

Com a necessidade de incorporar cor no seu trabalho e a decisão de não trabalhar mais com ferro por conta de um acidente, a fez pensar em novos materiais, pois queria “uma escultura pensando mais em termos de forma, que o ferro não me dava”(A Notícia, 17 de maio 1983). Esta necessidade de mudança já vinha desde o seu contato com o artista baiano Mario Cravo. Elke justifica que “o Brasil, visto de fora, me parecia muito colorido” (A Notícia, 17 de maio 1983) sendo assim, encontrou no plavinil, um novo meio para fazer seus trabalhos sobre a temática brasileira. Elke na sua entrevista explica que esta temática estava muito mais ligada a sua infância, “um brasileiro localizado em Blumenau, que

157 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 155-160.

González que teve uma extensa produção de esculturas em ferro. Sobre o processo escultural de González, em seu texto Un arte nuevo: el dibujo em el espacio, Krauss descreve sobre a parceria que Picasso e González tiveram no final da década de 1920. Esta experiência permitiu Gonzáles pensar sobre o universo escultural, Krauss define que “la pericia de González en el trabajo directo con el metal posibilito que la sensibilidad picassiana para el collage irrumpiera en el universo tridimensional de la escultura” (Krauss, 1996: 134), o que mais tarde González define como “un arte nuevo: el dibujo en el espacio”. Para Gonzáles não se trata apenas de uma assemblage, mas sim, de uma nova forma de desenho, ou seja, “(...)el resultado de esta revelación no fue un assemblage escultórico o un collage, sino la invención ulterior de una nueva forma de dibujo: la inscripción escultórica del espacio” (Krauss, 1996: 134). Os códigos estabelecidos nas esculturas de González não fazem referência a um objeto que remete a um jogo figurativo. Como aborda Krauss, González “no estaba sustituyendo un cuerpo por otro para producir un collage escultórica” (Krauss, 1996: 141). As esculturas Arlequim (Figura 1) e Scorpius (Figura 2) mostram que mais do que um processo de assemblage, desviam a atenção para o uso da espacialidade. Os elementos curvilíneos se alongam para além da estrutura central em contraponto com as peças planas. Ambas as esculturas se utilizam de pedaços de ferro que não nos remetem a qualquer figuração que, por sua vez, na montagem escultórica continuam sendo imagens abstratas. Ao deixar para trás a ilusão modernista de originalidade como um “começo do zero”, Krauss afirma que “la práctica del arte de vanguardia tiende a revelar que la ‘originalidad’ es una asunción activa de la repetición y la recurrencia” (Krauss, 1996: 171). Diferentes tentativas de procedimentos esculturais foram sendo desenvolvidas na modernidade e reelaboradas a posteriori. Esta rede de influência do trabalho de González permitiu pensar sobre um novo processo de montagem da escultura, que incidiram nas esculturas de Elke.


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