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:ESTÚDIO 5

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Efemeridade compartilhada

Com propostas simples, Poro dilui a autoria tornando-a compartilhada – os artistas acreditam e sempre incentivam a participação espontânea de outras pessoas para realizarem suas ações em outros contextos -, o grupo passa, então, a ser formado por muitos outros na medida em que os trabalhos exijam maior ou menor participação (algumas ações podem ser feitas de forma solitária). Assim como suas propostas de ocupação da paisagem são efêmeras, o grupo aumenta e dilui-se com o passar do tempo. Segundo eles, Queremos gerar espaço de encantamento, suspensão e desvio. Fazer com que o sutil, o efêmero, apareça em gotas na cidade acelerada, que é cada vez mais levada a uma verticalização árida, ao concreto e ao asfalto, em suas pistas duplicadas e sem árvores (temos certeza de que a cidade não precisa ser assim) (Campbell; Terça-Nada!, 2011: 7)

Com essa possibilidade para participação de outras pessoas, as propostas de Poro são sempre re-significadas, assim como é a memória, - móvel e dinâmica (Bergson, 2006) - são suas ações nos espaços urbanos pensadas para durar 1 hora, algumas semanas, alguns meses, mas sempre com o intuito de provocar os pedestres desavisados e torná-los co-autores não intencionais. Um “respiro” ao olhar

Através de suas intervenções, a dupla procura uma relação com a paisagem urbana através de ações efêmeras. Partindo dos conceitos trabalhados por Michel de Certeau (2008), o grupo propõe a transformação do lugar, que possui uma ordem pré-estabelecida e estática, em espaço, que é móvel; segundo o autor, é o lugar praticado pelos transeuntes ‘ordinários’ através de uma vivência, que pode ser tanto suscitada por uma memória pessoal diante desse novo espaço, como por uma memória do próprio lugar que até então estava esquecida. É a possibilidade do invisível tornar-se visível e significativo. Suas ações são como retratos do que foi, ou do que deveria ser a paisagem urbana em algum momento do passado real ou do passado inventado a partir das memórias, lembranças passadas, das percepções presentes que se mesclam. Os trabalhos da dupla incluem frases indicativas, panfletos e lambes-lambes

137 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 136-141.

desenfreado das multidões de pedestres. Através de suas ações, eles propõem que os transeuntes estabeleçam novas relações com o espaço público, que observem, através dos pequenos desvios, das pequenas inserções na paisagem, vivenciando-a e recriando-a constantemente.


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