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135 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 3, (5): 134-135.
a habitar/ver a cidade de formas inusitadas. Sugerindo ações de deriva o grupo também estimula a participação dos transeuntes, tornando-os coautores das ações propostas. No artigo A relação corpo/objeto e o discurso poético das proposições de Lygia Clark, Fernando A. Stratico aborda algumas de suas proposições a partir do conceito de hiperrealidade de Baudrillard. A partir deste período (anos 60 e 70), os trabalhos desta artista - seminal na arte brasileira - convidavam a habitar o corpo e/ou suas percepções sensoriais e dirigiam-se paulatinamente a experiências com fins terapêuticos. A criação artística pode seduzir, envolver. Pode ser provocadora, errática e mesmo (por que não?) incômoda. Ponderando o sujeito de Lacan, marcado pelo sentimento de falta gerado pelas dicotomias resultantes do processo de desenvolvimento biossocial e em eterna e compulsiva busca de retorno à unicidade através da perseguição de objetos simbólicos que supostamente supririam sua perda original, impulsionado pelo desejo de amor e reconhecimento do outro, habitar poderia manifestar uma incessante busca. Descortinam-se aqui algumas leituras.