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:ESTÚDIO 4

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8 Queiroz, João Paulo (2011) “Um corpo no Estúdio.”

o corpo na sua instância transitória: acompanhamos os corpos mumificados de Pedro Saraiva (por Maria João Gamito), corpos que se mostram na inutilidade do riso daquele que já não vive, recordando-nos Yorick, ou, com mais verosimilhança, Bentham. A representação aguça o engano, o trompe l’oeil do naturalismo de Antonio Agudo, onde se interroga o tempo fazendo a barba (por Isabel Sola). Carolina Rochefort devolve olhares, agora sobre Vivian Herzog: os desenhos mostram os corpos que os fizeram, agora gestos em “reservatórios.” Paco Lara-Barranco (por Sergio Romero Lopez) esconde o corpo na sua representação velada (ecrã) para provocar o desejo do espectador. Miguel Branco é visitado por Carlos Correia: os corpos são suportes para a sua antítese, que é a separação, a ausência, a representação. Fernanda Manéa visita no erotismo de Bellmer a ironia pós feminina de Kiki Smith. Os artigos agrupados no segundo capítulo, corpo: da máscara à camuflagem, debruçam-se sobre a ressignificação do corpo, ou o seu oposto, a camuflagem. O disfarce é uma necessidade vital que diferencia os seres vivos, plantas ou animais. A camuflagem mimetiza o inerte escondendo o vivo. O seu contrário é a significação ostensiva da ameaça, da guerra (tema abordado por Luz Marina Salas Acosta). Interroga-se a identidade, os olhos que nos são ora estranhos, ora familiares (as fotografias de Rui Calçada Bastos, por Maria Leonor de Almeida Pereira). O teatro do rosto é observado no clown, o actor do corpo e da máscara (Pepe Viyuela, por Ana Cremades). O xamanismo peruano é revisitado em Pablo Amaringo (por Mihaela Radulescu de Barrio de Mendoza) onde a selva amazónica esconde todos os corpos, para mostrar os espaços entre eles. Guillermo Pérez Villalta, não muito longe destas experiências que superam a realidade, visita novos espaços não euclidianos, onde o monstro se contempla (por Enrique Quevedo Aragón). Os monstros humanos e urbanos têm muito poucos segredos para Otto Dix (por Paula Santiago Martín de Madrid): a modernidade exibe a decadência brilhante do seu fim. Nino Cais explora o excesso de possibilidades expressivas do corpo e as suas inutilidades objetuais (observadas por Aline Langendonck): questiona-se a natureza. No texto de Jordi Morell a natureza engole homens alienados pelo trabalho que ela não inventou. Neste pretexto visitamos as obras de Steve McQueen e Santiago Sierra, onde, neste último, os corpos são remunerados para se alienarem, numa posição crítica e algo pós marxiana, e decerto pós estruturalista: onde está o homem vivo. Viviane Gil Araújo traz-nos notícias dos projetos de curadoria que aconteceram em São Paulo (1997 e 2005) e que tomaram o corpo como parâmetro. O terceiro capítulo, corpo: separação e hipercorpo, apresenta artigos que abordam o corpo separado de si, em transição. David Etxeberria apresenta Sergio Prego libertando corpo das suas obrigações físicas (o peso, por exemplo) para uma hiper corporalidade, a porta pós identitária que se reflete em muitas instâncias virtuais contemporâneas. Carlos Murilo da Silva Valadares debruça-se no novo


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